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Novo processo de avaliação de projetos da divisão biológica da NSF frustra pesquisadores norte-americanos

Publicado em 19 setembro 2012

Um novo processo de concessão de auxílio à pesquisa pela divisão biológica da National Science Foundation- a principal agência de apoio à pesquisa dos Estados Unidos - poderia inviabilizar projetos colaborativos e retardar o progresso da ciência, de acordo com os mais de 550 ecologistas e cientistas ambientais que assinaram e entregaram uma carta para a agência do governo federal norte-americano na semana passada.

O novo processo, anunciado em agosto de 2011 pela Diretoria de Ciências Biológicas da NSF, foi criticado por cientistas por promover apenas um ciclo de auxílios por ano, em vez de dois, além de reduzir a apenas duas as propostas que cada pesquisador líder pode apresentar.

Porta-vozes da NSF disseram que as mudanças tinham o objetivo de resgatar um processo que eles - assim como vários dos cientistas que protestaram - acreditavam estar se aproximando de um ponto de ruptura, por sobrecarregar os pareceristas, assim como funcionários da agência.

Ambos os lados dizem que estão otimistas em relação a encontrar soluções melhores - o que seria, de acordo com o que os cientistas escreveram na carta, "fundamental para garantir que a ciência progrida o mais rapidamente possível, dado o nível de recursos disponíveis, proporcionando assim o máximo benefício para a sociedade".

A NSF, que tem atualmente um orçamento anual de US$ 7,3 bilhões, é a principal fonte de recursos para os cientistas e engenheiros que trabalham em áreas não médicas. A Diretoria de Ciências Biológicas é uma das sete diretorias de apoio à pesquisa dentro da NSF. Dentro dela, as mudanças no processo de avaliação dos projetos deverão afetar especialmente as divisões que tratam de ecologia, ciências ambientais e disciplinas relacionadas.

Até que o novo processo de revisão entre em vigor, ainda este ano, as divisões ambientais continuam avaliando processos duas vezes por ano, sem limites em relação ao número de propostas para cada pesquisador.

A ausência de limites para as propostas permite que os pesquisadores colaborem livremente com projetos interdisciplinares, que muitos cientistas consideram fundamentais para resolver desafios científicos complexos. Com dois ciclos de revisão de um ano, os pesquisadores podem receber retorno dos pareceristas, retrabalhar o que for necessário e submeter novamente à avaliação ainda no mesmo ano.

De acordo com a carta da comunidade científica, com o novo processo os pesquisadores terão que apresentar uma proposta preliminar de quatro páginas em janeiro e, caso sejam convidados, apresentar um projeto completo com 15 páginas, em agosto, para avaliação. Cada pesquisador só poderá apresentar duas propostas preliminares por ano.

O resultado, de acordo com os signatários, não é apenas uma diminuição de oportunidades para opiniões e projetos de cooperação, mas também uma defasagem de tempo em receber dinheiro do governo, com consequências potencialmente negativas para projetos e carreiras.

Se um pesquisador apresentar uma pré-proposta em janeiro e for convidado a apresentar uma proposta completa em agosto, só receberá os primeiros recursos em janeiro do ano seguinte, um ano depois de iniciado o processo. Se o projeto não for aprovado na primeira avaliação - o que ocorre na grande maioria dos casos - o pesquisador terá que esperar até dois anos após o início do processo para começar a obter recursos.

(Com informações de: The Chronicle of Higher Education)

Fonte: Agência FAPESP