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USP - Universidade de São Paulo

Novo prédio do IGc abrigará microssonda de alta resolução

Publicado em 10 agosto 2010

A USP, em parceria com a Petrobrás e com a Fapesp, adquiriu uma Microssonda Iônica de Alta Resolução "Shrimp" (sigla em inglês para Sensitive High Resolution Ion MicroProbe), um equipamento que permitirá ao Instituto de Geociências (IGc) da Universidade executar análises essenciais com mais precisão e em muito menos tempo.

Colombo Tassinari, diretor do IGc, explica que, na área de geologia, seja para escolher onde abrir um poço de petróleo, para saber se uma área tem potencial para mineração, ou mesmo para realizar estudos acadêmicos, é necessário um processo chamado de análise de composição isotópica. O procedimento permite ao cientista datar, isto é, descobrir a idade, do processo de formação de uma determinada rocha ou mineral.

Hoje, IGc realiza essa análise, mas demora cerca de 20 dias para concluir os trabalhos. Com o novo equipamento, poderá executar a mesma tarefa com mais precisão e em apenas cinco minutos.

A microssonda foi encomendada há três anos pela Universidade. Dois anos após o pedido foi finalizada a construção do equipamento, que agora aguarda - desmontado e guardado em caixas - a conclusão do prédio que o abrigará, o que deve acontecer até outubro desse ano, de acordo com Tassinari.

Para realizar as análises, no prédio, além da microssonda, haverá também laboratórios acessórios, equipados com três espectômetros de massa e um microscópio eletrônico. O total do investimento gira em torno de R$ 11 milhões, divididos entre a USP, a Fundação Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a Petrobrás.

O interesse da petrolífera em financiar a microssonda é que ela poderá ser usada pela empresa através da rede de pesquisas GeoChronos. Tassinari explica que "um poço de petróleo custa mais de R$ 100 milhões, e as análises realizadas na Shrimp podem indicar quais áreas têm uma probabilidade maior de ter petróleo e, assim, diminuir o risco de poços "cegos", sem petróleo".

A análise

O método que vem sendo para a análise isotópica usado consiste em dissolver quimicamente uma pequena quantidade do mineral zircão da rocha que se quer estudar e analisar essa amostra em um espectômetro de massa. Além de mais demorado, o processo é menos preciso e exige certos cuidados, como um laboratório chamado de "super limpo", para que não haja risco de contaminação das amostras.

Já no Shrimp, é usado um único grão de zircão, que não precisa ser dissolvido. Segundo o professor, os grãos de zircão sofrem crescimento ao longo do tempo devido a eventos geológicos, mas por causa da dissolução, é impossível estudar cada um desses crescimentos. Com a microssonda, tal ação passa a ser possível. "A partir de um único grão você consegue traçar toda a história da rocha", diz.

GeoChronos

A GeoChronos é uma rede de pesquisa criada em 2006 que tem a participação da USP, Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), além da Petrobrás e dos Ministérios de Minas e Energia e de Ciência e Tecnologia.

Segundo Tassinari, as vantagens de uma rede como essa são "a possibilidade de se fazer compras integradas, o que diminui alguns custos, a maior facilidade de se conseguir financiamentos e a disseminação do conhecimento".

O diretor do IGc, professor Colombo Tassinari

Com a rede, pesquisadores de outras universidades podem usar equipamentos da USP e vice-versa, e podem ser realizados estudos em conjunto. No caso da microssonda, como seu financiamento foi dividido igualmente entre a Petrobrás e a Fapesp, metade de seu tempo de funcionamento será dedicado à GeoChronos e outra metade às universidades paulistas (USP, Unesp e Unicamp).

Para o diretor do IGc, o maior resultado obtido pela Geocronos foi a criação de um grupo que hoje constitui um Instituto Nacional de Tecnologia (INCT) - que são centros de excelência em determinadas áreas de pesquisa - de técnicas analíticas aplicadas à extração de petróleo e gás.