Notícia

Panorama Rural

Novo ponto para a ciência

Publicado em 01 julho 2005

A mais recente descoberta de especialistas brasileiros traz alento para o quadro da sanidade na citricultura do país. Trata-se da síntese do feromônio sexual do minador dos citros. A novidade científica foi anunciada por pesquisadores da Esalq/USP, da Universidade Federal de Viçosa, MG, da Universidade da Califórnia, Estados Unidos, e da empresa japonesa Fuji Flavor. Eles apresentaram o trabalho — que teve o apoio da Fapesp, CNPq e Fundecitrus — durante a Semana da Citricultura, realizada em Cordeirópolis, SP, em junho deste ano.
O minador dos citros foi descoberto nos pomares brasileiros em 1996. A praga é severa porque facilita a disseminação do cancro cítrico ao causar ferimentos nas folhas, que se tornam vias de penetração da bactéria Xanthomonas axonopodis, transmissora do cancro cítrico. A doença se alastra ainda mais facilmente com o vento, atingindo longas distâncias.
No desenvolvimento das experiências bem sucedidas, os pesquisadores retiraram as glândulas de feromônio das fêmeas do minador e estudaram todos os componentes presentes. Dessa forma, foi possível identificar as substâncias responsáveis pela atração dos machos e sintetizá-las. "Nos experimentos, a ação do feromônio sexual sintetizado foi eficaz, pois conseguiu atrair os adultos do minador para as armadilhas", explica Ana Lia Parra Pedrazzoli, pesquisadora da Esalq/USP. "A idéia é utilizar a tecnologia para monitorar a praga e saber o momento ideal de fazer o controle." Técnica semelhante já é utilizada com sucesso para o bicho furão.
"Há uma relação direta entre as infestações de minador dos citros e o aumento dos índices de cancro cítrico", afirma Evaldo Vilela, pesquisador da Universidade Federal de Viçosa. Em 1999, o cancro cítrico chegou a atingir 0,7% dos talhões comerciais do estado de São Paulo, crescimento atribuído, entre outros fatores, à presença abundante do minador. Atualmente, a incidência é de 0,14% dos talhões, redução provocada pela guerra desenvolvida contra a doença e a praga nos últimos anos.