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Novo pigmento natural da Amazônia é alternativa sustentável para indústria da beleza (87 notícias)

Publicado em 02 de fevereiro de 2026

A busca por alternativas sustentáveis na indústria da beleza ganhou um reforço estratégico vindo da biodiversidade brasileira. Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em colaboração com a Unicamp, identificaram um fungo amazônico capaz de produzir um corante natural vermelho de alta estabilidade e baixa toxicidade. O projeto, financiado pela FAPESP, posiciona a bioeconomia nacional como fornecedora de soluções para o mercado global de cosméticos, que busca reduzir a dependência de pigmentos sintéticos.

Atualmente, a maior parte dos corantes vermelhos utilizados em batons e blushes provém de fontes sintéticas — frequentemente associadas a reações alérgicas — ou do inseto cochonilha, cuja extração enfrenta resistência de consumidores veganos. O fungo Talaromyces amestelkiae, isolado em solo amazônico, surge como uma alternativa viável por meio de processos biotecnológicos controlados.

Eficiência e segurança

Diferente da extração de plantas, que depende de fatores climáticos e sazonais, a produção via microrganismos ocorre em biorreatores. Isso permite uma escala industrial constante e padronizada. “A produção por fungos é mais vantajosa porque não compete com áreas de cultivo de alimentos e permite o controle total das condições de cultivo”, destacam os pesquisadores envolvidos no estudo.

Testes laboratoriais comprovaram que o pigmento possui propriedades antioxidantes e, crucialmente, não apresenta citotoxicidade em concentrações eficazes. A estabilidade do corante sob diferentes níveis de temperatura e pH também foi testada, apresentando desempenho superior a outros pigmentos naturais já conhecidos, o que é fundamental para a durabilidade dos produtos nas prateleiras.

Impacto econômico

A iniciativa reforça a importância do investimento em ciência aplicada para agregar valor aos recursos da floresta em pé. O desenvolvimento deste insumo representa um passo para que o Brasil deixe de ser apenas um exportador de matéria-prima bruta e passe a fornecer tecnologia de alto valor agregado para o setor farmacêutico e de cuidados pessoais.