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Novo normal: pandemia muda relações humanas e de trabalho

Publicado em 17 julho 2020

Você não sente nem vê, mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo. Que uma nova mudança em breve vai acontecer. E o que há algum tempo era jovem, novo, hoje é antigo. E precisamos todos rejuvenescer.

Belchior (1946-2017) parecia profetizar os nossos dias quando lançou esses versos em “Velha Roupa Colorida”, em 1976, no disco “Alucinação” --nome meio profético também.

Os versos de 44 anos atrás servem perfeitamente para refletir sobre o ‘novo normal’, conceito ainda nebuloso e que se tornou um mantra dos tempos de pandemia da Covid-19.

A primeira coisa a se pensar é que o ‘novo normal’ não será um ‘normal de novo’, mas algo diferente a ser construído depois da pior crise sanitária mundial em 100 anos.

Ainda longe de acabar e sem vacina ou remédio, a doença tem impacto para modificar as relações humanas, o trabalho, o comércio, a indústria, os relacionamentos e até mesmo a maneira como lidamos com a higiene pessoal.

Pensar que algo básico como lavar as mãos é uma das melhores maneiras de prevenir a contaminação é concluir o quanto a humanidade precisa aprender a se cuidar melhor.

De quarentena em um sítio no interior do estado, a 300 km de São José dos Campos, a psicóloga Fabiana Luckemeyer acredita que a pandemia do coronavírus vai provocar mudanças profundas em muitas pessoas. Na maioria dos casos, para melhor.

“Num momento desses, não tem como não mudar. Com essa adversidade tão radical não tem como as pessoas não se modificarem. Mas algumas pessoas, por pessimismo, traumas passados ou histórico de vida, não conseguem enxergar o lado bom de uma situação ruim.”

Aos que conseguirem, ela espera que façam mudanças substanciais em seu modo de viver. Fabiana vê na obrigatoriedade de ficar em casa e de preservar os idosos elementos para alterar comportamentos. “Momento de muita humanização, generosidade, paciência, tolerância”.

DIFERENTES.

Para a consultora Conceiyção Montserrat, com mais de 25 anos atuando no mercado nacional e internacional à frente de gestão e fomentação de negócios, o termo ‘novo normal’ não deve ser confundido com o significado de que “houve uma interrupção e que tudo continuará da mesma forma após a pandemia”.

“Queremos que tudo seja reformulado, melhorado, que tenha uma evolução em nossas atitudes, proporcionando ao entorno uma qualidade superior à que estava antes desta pandemia.”

Para ela, as mudanças devem favorecer “nosso equilíbrio e atenção às questões que nos incomodam e que possamos evoluir com tudo isso”.

Em transmissão pela internet, diretores da OMS (Organização Mundial da Saúde) disseram que uma das primeiras mudanças na área da saúde em escala global no pós-pandemia será a descentralização da produção de insumos e medicamentos.

O que se vê nessa crise é que a concentração de materiais para respiradores e reagentes para testes em poucos países impactou o mundo todo.

Em segundo lugar, uma preparação mais globalmente coordenada para enfrentar um problema de saúde das dimensões do coronavírus.

Médico com doutorado em biologia molecular e pós-doutorado em neurofisiologia, Luiz Mello, diretor científico da Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa de São Paulo), acredita que a principal mudança no ‘novo normal’ será na dimensão do trabalho.

“Os ambientes de trabalho vêm mudando e as pessoas estão trabalhando a partir das suas próprias casas. Isso vai ser ainda mais importante. Desde o século 18, estamos vendo uma substituição progressiva do trabalho humano pelas máquinas. Vamos assistir uma aceleração desse processo e o estabelecimento de novas profissões e trabalhos”.

“Muitos estão trabalhando em casa e o home office já é tendência. A tecnologia ajuda muito no sentido econômico, produtivo”, disse Fabiana.

ONU: relatório aponta alta da pobreza extrema no Brasil e risco à democracia

Relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) aponta que a pobreza extrema deverá dobrar no Brasil em 2020 como resultado da pandemia e ameaçar a democracia. Ainda prevê queda de 9,1% no PIB (Produto Interno Bruto) latino-americano, o maior em um século. A entidade aponta que o Brasil termine o ano com 9,5% na condição de pobreza extrema. Essa taxa era de 5% em 2019. A extrema pobreza é quando um indivíduo ganha menos de US$ 67 (R$ 357) por mês. A pobreza também aumentará. Os brasileiros que ganham menos de US$ 140 (R$ 746) por mês passarão de quase 20% em 2019 para 26,5% em 2020. Para ONU, aumento das desigualdades e da exclusão podem provocar distúrbios sociais..

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