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Agência USP de Notícias

Novo modelo para teste de DNA trará mais precisão de resultados na investigação de paternidade

Publicado em 13 dezembro 2006

Pesquisador da Interunidades em Bioinformática criou software para cálculo matemático de investigação de paternidade que vai auxiliar principalmente nos casos mais complexos, como aqueles em o suposto pai não pode fornecer material genético para análise.
Uma pesquisa de doutorado desenvolvida pelo engenheiro Fábio Nakano resultou em um software inovador, que representa um avanço no uso dos modelos matemáticos de cálculos em testes de paternidade (de DNA). A principal vantagem é que o modelo proposto poderá fornecer, em questão de segundos, resultados precisos para as situações de investigação de paternidade complexas.
"Entre essas situações, podemos citar os casos em que não é possível coletar material do suposto pai, então a análise é feita com o material genético de um outro parente próximo (os irmãos deste ou o seu avô, por exemplo), ou quando há outros vínculos discutíveis: se um desses irmãos não for legítimo ou ainda se existe casamento entre primos (consangüinidade)", explica o pesquisador. Segundo Nakano, o modelo proposto utiliza melhor todos os dados disponíveis, o que gera rapidamente resultados precisos.
O pesquisador prevê que até o segundo semestre de 2007 o modelo estará disponível por meio de um serviço na internet. Isso se tornou possível devido ao apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) por intermédio de seu Programa de Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE).
Os seres humanos possuem 46 cromossomos, sendo metade de origem paterna e a outra, materna. Cada um desses cromossomos é composto por DNA - ácido desoxirribonucléico - molécula em que são codificadas as características hereditárias. Essas informações genéticas (genótipo) estão dispostas linearmente, ao longo do cromossomo, em posições denominadas locos. Cada loco contém uma de várias combinações possíveis de bases de DNA (adenina, guanina, citosina e timina) - cada combinação é chamada alelo. Os exames de paternidade são realizados por meio da análise e comparação dos alelos presentes em alguns locos selecionados - marcadores moleculares - da mãe, do filho e do suposto pai. Quanto mais marcadores são testados, mais exato (e caro) será o resultado.

Locos fora de equilíbrio
Nakano usou como modelo de referência o teste de paternidade proposto pelo cientista A.P. Dawid, em 2002, considerado "o estado da arte" em termos de testes de DNA. Quando comparado a esse modelo de referência, o sistema desenvolvido por Nakano é menos dependente de uma Lei da Genética: a Hipótese de Equilíbrio de Hardy-Weinberg. Essa hipótese afirma que, dentro de determinadas condições (quando os marcadores moleculares não sofreram seleção e mutação), as freqüências alélicas permanecerão constantes com o passar das gerações.
No modelo de referência é obrigatório o uso de marcadores em equilíbrio. No modelo desenvolvido por Nakano, mesmo os locos fora de equilíbrio são considerados nos cálculos. "Dessa forma, o número de marcadores que podem ser usados é ampliado consideravelmente, possibilitando um aumento da precisão dos resultados", explica o engenheiro.
A tese de Nakano teve orientação dos professores Carlos Alberto de Bragança de Pereira, do Instituto de Matemática e Estatística (IME), e Hugo Aguirre Armelin, do Instituto de Química (IQ). O trabalho foi apresentado no último mês de novembro ao Programa Interunidades em Bioinformática da USP, que reúne, além do IME e do IQ, o Instituto de Física de São Carlos (IFSC), a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o Instituto de Biociências (IB), o Instituto de Ciências Biomédicas (ICB), a Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) e a Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP). Durante o doutorado o pesquisador recebeu apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).