Notícia

Jornal do Comércio (RS)

Novo método visa tratar melanoma de forma menos agressiva

Publicado em 23 dezembro 2010

Uma nova formulação química adaptada à terapia fotodinâmica foi criada para tratar, de forma menos agressiva, o melanoma maligno - tipo de câncer de pele com pior prognóstico, devido à sua elevada probabilidade de causar metástases. A formulação desenvolvida pela pesquisadora Paula Aboud Bar-bugli, ex-aluna da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (Fcfrp) de Ribeirão Preto da USP, sob a orientação do professor Antonio Cláudio Tedesco, visa combater a doença sem causar grandes efeitos colaterais e prejuízos estéticos. Esta formulação começou a ser desenvolvida em 2007, no Laboratório de Fotobiologia e Fotomedicina da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (Ffclrp) da USP, durante o mestrado de Paula e foi apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Atualmente, existem poucos tratamentos efetivos para o tratamento do melanoma. Os pacientes com este tipo de câncer, normalmente, são submetidos a tratamentos cirúrgicos associados à radioterapia e quimioterapia. Com a evolução da doença e o surgimento de metástases a probabilidade de cura e remissão da doença são muito remotas. As pesquisas de Paula revelam resultados positivos na eliminação das células de melanoma maligno após o tratamento de Terapia Fotodinâmica (FTD). O estudo trabalhou na criação de uma formulação com o fármaco Ftalocianina de Cloroalumínio capaz de induzir a morte de células malignas em mais de 90% após a irradiação com laser em comprimento de onda específico.

"A terapia fotodinâmica é uma modalidade terapêutica seletiva e não invasiva, que age diretamente sobre a pele do paciente. O fármaco é administrado e após algumas horas ocorre a irradiação com luz laser somente no local do tumor. Esta técnica já vem demonstrando excelentes resultados clínicos no tratamento de tumores de pele do tipo não melanoma, agora, comprovamos que a terapia também é capaz de surtir efeito em células de melanoma em fase avançada de progressão da doença", afirma a pesquisadora.

Segundo Paula, a ftalocianina foi "encapsulada em lipossomas", o que permite sua administração em condições fisiológicas. Ou seja, apto para a aplicação em pacientes tanto por via endovenosa (injetada em veias) como por uso tópico (colocando os lipossomas em um gel para aplicá-lo sobre a pele).

Testes in vitro, realizados na primeira fase da pesquisa, com diferentes modelos celulares (do tipo célula padrão e do tipo tridimensionais, desenvolvidos a partir de uma matriz de colágeno e fibroblastos) com diferentes fases de progressão do melanoma demonstraram resultados positivos em relação ao tratamento. (Agência USP)