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Revista Ecológico online

Novo medicamento contra leishmaniose

Publicado em 29 janeiro 2018

O Laboratório de Processos Químicos e Tecnologia de Partículas do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) está desenvolvendo um novo medicamento contra a leishmaniose, doença endêmica no Brasil causada por protozoários e transmitida pela picada de certas espécies de mosquito.

Segundo o IPT, o fármaco utiliza a tecnologia de nanocarreadores para elaborar um tratamento tópico, menos invasivo e mais eficiente aos pacientes, além de menos dispendioso aos serviços públicos de saúde. O medicamento é resultado do mestrado profissional da pesquisadora do IPT Thais Aragão Horoiwa.

No Brasil, o tratamento da doença é oferecido pelo SUS e feito de forma injetável. O paciente recebe diariamente, por um período de 20 dias, as aplicações feita diretamente nas feridas.

“O tratamento é extremamente doloroso, além de depender da internação do paciente para a aplicação do medicamento e controle dos efeitos colaterais, que são intensos e podem até levar ao óbito. A alternativa que propomos é de um tratamento tópico com pomada ou creme, evitando que o medicamento caia na corrente sanguínea, e com aplicação feita pelo próprio paciente. A simplicidade do tratamento tende ainda a diminuir o gasto de recursos públicos e evitar a evasão dos pacientes”, afirma Horoiwa.

De acordo com o IPT, os testes de liberação e permeação realizados até o momento mostram evidências de que o medicamento, indicado para tratamento da leishmaniose cutânea, não tem penetração na corrente sanguínea – evitando efeitos colaterais em órgãos internos. Comprova, ainda, que sua liberação é sustentada na ferida, crescendo ao longo do tempo, o que possibilitaria uma aplicação única.

As pesquisas já renderam uma patente para o laboratório e, atualmente, a formulação inicial do medicamento passa por testes pré-clínicos no Instituto de Ciências Biomédicas da USP.

Leishmaniose é o nome usado para identificar um conjunto de doenças infectocontagiosas causadas por protozoários do gênero Leishmania. Comum em humanos, mas também em animais (especialmente cães), a doença pode se manifestar de diversas formas. Na mais conhecida – chamada tegumentar ou cutânea – o protozoário se instala nos macrófagos (células de defesa) da epiderme e faz com que o paciente desenvolva feridas na pele e mucosas.

Fonte: Agência Fapesp

 

 

 

 

 

Fármaco nanotecnológico pode proporcionar tratamento mais eficiente e menos invasivo contra a doença, com menor custo. Foto: Fernando Real / CNPq (Foto: )