Notícia

Correio Popular

Novo laboratório de física da Unicamp usa tecnologia limpa

Publicado em 09 agosto 2002

Por Zezé de Lima - Da Agência Anhangüera - zezelima@rac.com.br
O desenvolvimento de uma tecnologia mais limpa e mais barata para melhorar as características das superfícies dos metais ganha hoje um aliado no Instituto de Física Gleb Wataghin, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp): a inauguração, às 10h, do Laboratório de Implantação Iônica e Tratamento de Superfícies (LIITS), o primeiro no País com tecnologia 100% nacional, segundo os diretores do laboratório, os professores Daniel Wisnivesky e Fernando Alvarez. Para a implantação do laboratório foram exigidos seis meses de trabalho e recursos da ordem de R$ 2,3 milhões. Os investimentos foram divididos entre a Fundação para o Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp), que entrou com R$ 1 milhão, e a multinacional do ramo de autopeças Eaton. Em função da parceria com a empresa, de imediato, o laboratório trabalhará para permitir a aplicação da tecnologia na produção dos componentes de caixas de transmissão. Os pesquisadores trabalharão para substituir o atual processo, que usa altas temperaturas, provocando mais poluição e onerando o trabalho com mais etapas. Resultados práticos para a indústria são esperados para daqui um ano, segundo os pesquisadores. Apesar de afirmarem ainda tratar-se de uma pesquisa, os pesquisadores dizem que há fortes indícios de que estão no caminho certo e que chegarão a resultados "surpreendentes". De acordo com Wisnivesky e Fernandez, a técnica do laboratório é trabalhada nos países mais desenvolvidos do mundo há cerca de 10 anos. principalmente na Europa, onde a questão ambiental é tratada com mais empenho que nos Estados Unidos. No entanto, o uso da tecnologia para caixas de transmissão, é inédito. O projeto dos pesquisadores já está em curso há dois anos e meio. O PROCESSO O laboratório tem um forno a vácuo de material refratário capaz de suportar temperaturas de até 700 graus centígrados. Em seu interior, que admite a mistura de diversos gases com vazão controlada, são dispostas as peças de metal sobre uma superfície isolada eletricamente. Uma fonte de 60 kilowatts de potência e até 1000 volts gera pulsos breves de corrente que bombardeiam a superfície do metal com íons de nitrogênio. Os íons, implantados e difundidos termicamente, são incorporados à estrutura do metal alterando diversas das suas propriedades, como dureza, resistência ao impacto, atrito e corrosão.