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Novo laboratório brasileiro terá câmara que simula ambientes extraterrestres

Publicado em 21 setembro 2009

O primeiro laboratório de astrobiologia no Brasil será inaugurado no início de 2010 e contará com uma câmara de simulação de ambientes espaciais, a primeira construída no hemisfério Sul. As instalações ficarão no Observatório Abrahão de Moraes, mantido pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP (Universidade de São Paulo), em Valinhos (SP).

O equipamento, que reproduz condições e ambientes extraterrestres, deverá entrar em funcionamento no segundo semestre de 2010. "Com a câmara, conseguiremos simular parâmetros de ambientes fora da Terra, como as condições do espaço ou de outros planetas", disse à Agência Fapesp o pesquisador Douglas Galante, coordenador do projeto da câmara de simulação.

"Se precisamos entender como um organismo vivo sobreviveria em Marte, por exemplo, é possível recriar as características marcianas, controlando variáveis como temperatura, composição gasosa, pressão atmosférica e radiação ultravioleta, de modo que as amostras inseridas dentro da câmara são acompanhadas por detectores", explicou o pesquisador do Departamento de Astronomia do IAG.

O objetivo é que o laboratório seja usado pela comunidade científica nacional e internacional em pesquisas teórico-experimentais no campo da astrobiologia, ciência que mistura astronomia, biologia molecular, química, meteorologia, geofísica e geologia.

As atividades da câmara de simulação começarão com experimentos usando extremófilos - microrganismos que servem de modelo para pesquisas diversas por serem capazes de sobreviver em condições ambientais extremas, como a ausência de luz solar ou níveis muito altos ou baixos de pressão, temperatura, água e oxigênio.

"Os extremófilos vivem em alta pressão no fundo dos mares, em ambientes extremamente frios e também em locais muito quentes, como em fontes geotermais, além de ambientes com alta radiação. Se esperamos encontrar vida em Marte, muito provavelmente ela será bem parecida com a desses microrganismos", apontou.

"Além da simulação de ambientes extraterrestres, a câmara também poderá ser usada em estudos tecnológicos e aplicados, como na área de ciência dos materiais, visando ao desenvolvimento de equipamentos que podem ser usados no espaço por satélites", afirmou.

As instalações do Laboratório de Astrobiologia serão abertas à comunidade acadêmica e os pesquisadores de todo o país interessados devem submeter projetos para avaliação da comissão científica do centro.

Com informações da Agência Fapesp