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Novo instituto procura obter custos da poluição do ar

Publicado em 14 janeiro 2009

 Por Rodrigo Martins, da Agência USP

 Apesar do nome extenso, a “Análise Integrada de Risco Ambiental” tem um significado bem direto. “Seu objetivo é fornecer as maiores informações possíveis sobre quem está produzindo a poluição, qual é a dose que a gente está recebendo nos mais diversos cenários, quais são os efeitos, qual é o custo disso", resume o professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP e coordenador do recém-criado Instituto Nacional de Análise Integrada de Risco Ambiental. "Os dados fornecerão instrumentos para que políticas públicas sejam efetuadas com o objetivo de reduzir as emissões de poluentes”.

Saldiva entende que uma maneira importante de provocar alguma alteração no nível de degradação ambiental é demonstrando os custos futuros da poluição, principalmente aqueles que afetam a saúde humana. Para ele, as decisões tomadas hoje em dia sobre as opções de combustíveis estão muito mais baseadas no custo do processo operacional do que nas consequências. “A saúde humana é o lado fraco desse processo”, comenta.

Ainda na idéia de acrescentar outros fatores ao “preço” que se paga pelos combustíveis, Saldiva acrescenta e faz um prognóstico: “O valor de um combustível vai além do custo de produção, processamento e distribuição. Fenômenos como aquecimento global e poluição atmosférica vão agregar ou subtrair valor de um combustível.”

Objetivos

O Instituto terá suas pesquisas voltadas exclusivamente para a poluição atmosférica, segundo o professor, por três motivos: não há estação de tratamento de ar, é o único tipo de poluição que atinge todas as pessoas e o ar é muito mais difícil de ser analisado do que outros focos de poluição, como a água. Nesse sentido, serão analisados três cenários, o urbano, o da agroindústria, com, por exemplo, os processos de produção dos alimentos, e o dos biocombustíveis.

Sobre as pesquisas o Instituto, já existem alguns projetos. Um deles será uma espécie de container com ar limpo, para analisar a melhora na condição de pacientes doentes. Haverá ainda um concentrador de poluentes atmosféricos no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, que irá simular dias de poluição excessiva.

No Hospital Universitário (HU) da USP, serão analisadas 400 gestantes, dos mais deferentes perfis, fumantes e não-fumantes e que moram próximas ou distantes da poluição. As mulheres serão acompanhadas durante todo o período de gestação e seus filhos até os três anos de idade. O objetivo é analisar distúrbios como o autismo, baixo peso e obesidade, entre outros problemas.

Outro projeto do Instituto irá abordar educação ambiental problematizada para estudantes de ensino fundamental. Já há experiências nessa área em cidades como Cubatão e São José dos Campos, com a criação de plantas que mudam de cor em ambientes poluídos, transformando a escola num ponto de monitoramento da poluição em seu entorno. Há ainda a proposta de construção de um “laboratório de ensino”, uma estufa dentro do Parque do Ibirapuera que servirá de laboratório para professores e alunos.

Projetos

A rede do Instituto já conta com mais de 90 pesquisadores de vários estados do Brasil. Na USP, farão parte a Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), a Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP), o HU e diversos departamentos da FMUSP.

Saldiva comenta que a rede de pesquisadores já estava formada há certo tempo com o apoio de órgãos como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), além de parcerias com entidades internacionais como as universidades de Harvard e Toronto. Ele acrescenta que na USP esta área está bem desenvolvida, figurando como uma das principais do mundo.

(Envolverde/Agência USP de Notícias)