Notícia

Jornal da Unesp

Novo fármaco contra a leishmaniose

Publicado em 01 setembro 2013

Por Karina Toledo, da Agência FAPESP

Um fármaco desenvolvido na Faculdade de Medicina Veterinária (FMV), Câmpus da Unesp de Araçatuba melhorou o estado clínico e a imunidade de cães com sintomas de leishmaniose. O produto, conhecido como P-MAPA (abreviação de agregado polimérico de fosfolinoleato-palmitoleato de magnésio e amônio proteico), poderá ser usado como auxiliar no tratamento convencional da moléstia provocada por protozoários do gênero Leishmania.

Na pesquisa, foram selecionados 20 animais com pelo menos três sinais característicos da doença, entre eles emagrecimento acentuado, perda de pelos em pontos do corpo (alopecia), crescimento anormal das unhas e lesões de pele, em especial na ponta das orelhas.

Os cães foram separados em dois grupos. Durante 45 dias, metade foi tratada com injeções intramusculares de P-MAPA, enquanto a outra metade recebeu apenas placebo.

“O grupo tratado apresentou uma clara melhora clínica, especialmente relacionada ao ganho de peso e massa muscular, recuperação das lesões cutâneas e crescimento de pelos em áreas de alopecia", contou Valéria Marçal Felix de Lima, professora da FMV e coordenadora da pesquisa.

"Também analisamos uma série de parâmetros para ver se a imunidade celular havia aumentado”, acrescentou Valéria, enfatizando que, nos animais infectados, a imunidade celular tende a diminuir à medida que a doença progride, o que favorece o aumento da carga parasitária.

Para verificar se a droga era capaz de evitar esse quadro, os pesquisadores realizaram uma biópsia de pele da orelha dos animais e analisaram a carga parasitária nas amostras por um método PCR (reação em cadeia da polimerase, na sigla em inglês) em tempo real.

RESULTADOS

Ao final do tratamento, os cães tratados com P-MAPA mostraram redução na carga parasitária de cem vezes em relação ao observado no início do tratamento. Além disso, comparado ao grupo controle, o tratamento com P-MAPA estimulou cinco vezes mais a produção de uma citocina, chamada interferon gamma (IFNγ), responsável por ativar as células de defesa e favorecer o combate ao protozoário.

O tratamento também reduziu em cerca de três vezes a quantidade de outra citocina chamada interleucina 10 (IL-10), capaz de desativar as células de defesa e permitir a proliferação do patógeno.

“As drogas hoje disponíveis não conseguem eliminar o parasita totalmente. Além disso, são muito tóxicas para os animais”, contou a pesquisadora.

O P-MAPA já demonstrou resultados promissores no combate a alguns tipos de câncer e a outras doenças infecciosas, como tuberculose e malária.

O artigo sobre o estudo foi publicado na revista Acta Tropica e pode ser lido em <http://migre.me/fNPQ7>.