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CBDL - Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial

Novo exame com software pode identificar risco para ganhar peso

Publicado em 21 fevereiro 2020

Um novo software que pode identificar, por meio de plasma sanguíneo, indivíduos com grande risco para ganhar peso, foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Sob coordenação do professor Rodrigo Ramos Catharino, do Laboratório Innovare de Biomarcadores, o estudo contou com apoio da Fapesp. Os resultados foram publicados na revista Frontiers in Bioengineering and Biotechnology.

“O exame revela, com cerca de 90% de precisão, se uma pessoa vai ou não ganhar peso caso nenhuma intervenção seja feita. Mostra ainda se há risco de desenvolver doenças como diabetes, hipertensão e dislipidemia. É uma ferramenta importante, pois possibilita aos profissionais de saúde orientar mudanças no estilo de vida antes mesmo que o problema se instale”, frisou Catharino.

Por amostra de sangue, analisada em um espectrômetro de massas, o exame pode revelar os metabólitos no fluido corporal.

De acordo com o coordenador da pesquisa, todo centro de saúde que tenha acesso a um espectrômetro de massas pode realizar a metodologia.

“Trata-se de uma técnica barata e acessível até mesmo ao Sistema Único de Saúde. Basta um único espectrômetro de massas na rede, que pode atender a vários hospitais e ambulatórios”, comentou Catharino.

Essa metodologia pode combinar ferramentas de metabolômica e inteligência artificial. No estudo foram utilizados dados da análise do plasma sanguíneo de 180 pessoas, metade dos voluntários tinha índice de massa corporal dentro da faixa normal, e os demais apresentavam grau variado de sobrepeso e obesidade.

Ao todo, 18 metabólitos foram identificados como biomarcadores de processos metabólicos que favorecem o acúmulo de gordura no organismo. Desses, cinco apresentaram potencial de predizer o ganho de peso.

De acordo com a pesquisa, a combinação dos biomarcadores mostra que, em indivíduos acima do peso, ocorre uma retroalimentação da cascata inflamatória no organismo.

(Com informações da Fapesp – 18.2.20)