Notícia

Diário da Tarde

Novo enfoque para as pesquisas científicas

Publicado em 06 maio 2000

Por ALUISIO PIMENTA
Nos últimos 50 anos, as pesquisas científicas e tecnológicas não conseguiram equiparar-se às dos países desenvolvidos. Entre os Estados da Federação, São Paulo destaca-se, investindo, através da Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), cerca de R$ 300 milhões por ano no setor. A comunidade científica internacional reconheceu e elogiou o trabalho dos pesquisadores paulistas, que decodificaram o genoma da bactéria Xilellafastigiosa, responsável pela doença do amarelinho nas frutas cítricas - um dos maiores produtos de exportação do Brasil. Além disso, o governo de São de Paulo aplica R$ 2 bilhões por ano indiretamente em pesquisas e nos pesquisadores, quando investe esse valor em suas universidades estaduais. O Brasil, temos que repetir, não tem tido vontade política para fazer da pesquisa e de seu entrosamento com as empresas um grande instrumento para o progresso da Nação. O governo do presidente Fernando Henrique Cardoso acaba de anunciar um plano de apoio à ciência e tecnologia envolvendo as universidades e as empresas. Serão lançados fundos setoriais de pesquisa, utilizando-se os modelos do Fundo do Petróleo e Gás Natural, com o objetivo de dar condições de competitividade tecnológica aos prestadores de serviços. Os novos fundos serão constituídos como operações integradas e gerenciados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, com a participação dos ministérios diretamente interessados no setor, bem como das respectivas agências reguladoras. Entre os setores escolhidos para receber este apoio especial destaca-se o da energia elétrica. É um projeto de longo prazo, cujos recursos já foram destinados à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) - pelas concessionárias da área. Também as pesquisas no setor recursos hídricos receberam apoio. Será criado ainda um fundo para estudos e pesquisas na área do transporte, que contará com recursos provenientes do DNER e de empresa da área de comunicação, interessados em utilizar a "infovia". A mineração é outro setor que receberá apoio para estudos e pesquisas integradas. Esperamos ainda que se ampliem os fundos para o CNPq e para a Capes. As ações tomadas pelo governo com estes projetos são da maior importância. Tomara que elas sejam implementadas o mais rápido possível. ALUÍSIO PIMENTA MEMBRO DA AML, EX-MINISTRO DA CULTURA, EX-REITOR DA UFMG E DA UEMG