Um avanço desenvolvido no Brasil pode mudar o rumo de um dos diagnósticos mais desafiadores da medicina: o câncer de pâncreas.
Um avanço desenvolvido no Brasil pode mudar o rumo de um dos diagnósticos mais desafiadores da medicina: o câncer de pâncreas . Pesquisadores apresentaram um dispositivo capaz de identificar a doença ainda nos estágios iniciais , oferecendo uma alternativa mais simples, rápida e acessível em comparação aos exames tradicionais — que, muitas vezes, só detectam o tumor quando ele já está em fase avançada.
A inovação surge em um cenário preocupante. O câncer de pâncreas é conhecido por sua alta taxa de mortalidade justamente pela dificuldade de diagnóstico precoce . Métodos convencionais, como tomografias e ressonâncias, além de caros, nem sempre conseguem captar sinais iniciais da doença, o que reduz as chances de tratamento eficaz.
O novo dispositivo
A pesquisa, publicada na revista científica internacional ACS Omega, detalha o funcionamento do novo dispositivo : trata-se de um sensor eletroquímico capaz de identificar a presença da proteína CA19-9 , principal biomarcador associado ao câncer de pâncreas. Esse tipo de proteína, em geral, só é detectado por meio de exames laboratoriais complexos e é amplamente utilizado como marcador tumoral no acompanhamento da doença.
Como funciona o Sensor Eletroquímico
De acordo com Gabriella Soares , aluna de doutorado em engenharia de materiais da Universidade de São Paulo (USP) e primeira autora do estudo, os testes iniciais foram realizados com 24 amostras de sangue , incluindo pacientes em diferentes estágios da doença e um grupo-controle. Os resultados apresentaram desempenho estatístico semelhante ao dos exames tradicionais.
“O próximo passo do nosso trabalho é ampliar o número de análises e o tipo de amostras, incluindo sangue, saliva e urina disponibilizados pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto ”, afirmou a pesquisadora em entrevista à Agência FAPESP.
Testes iniciais e próximos passos
Hoje, o do câncer de pâncreas costuma depender de ensaios imunoenzimáticos , que exigem laboratórios equipados, mão de obra especializada e um tempo considerável de processamento. A proposta do novo sensor é justamente reduzir esse custo e ampliar o acesso a uma ferramenta de rastreio mais simples, capaz de facilitar o diagnóstico precoce .
O dispositivo segue mede a capacidade de armazenamento de cargas elétricas na presença do CA19-9 no sangue. A superfície deste dispositivo é repleta de anticorpos que, quando entram em contato com a proteína presente no sangue, reconhecem as moléculas do biomarcador .