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Novo diretor do IAC diz que há um esforço do governo no sentido de manter jovens talentos na pesquisa paulista

Publicado em 15 novembro 2008

Por Fabiana Santos

Marco Antônio Teixeira Zullo diz que sua gestão terá foco na implantação de uma política de inovação tecnológica, “promovendo a qualificação de nosso pessoal sob o aspecto da legislação que envolve o tema e as oportunidades decorrentes da inovação”

O novo diretor do Instituto Agronômico (IAC), Marco Antônio Teixeira Zullo, em entrevista ao “Gestão C&T online”, diz que o instituto com 121 anos “é uma instituição jovem pelo espírito inventivo de seus pesquisadores”.

Zullo destaca que a credibilidade do IAC atrai jovens talentos de diversas áreas do conhecimento “e tem havido um esforço do governo no sentido de mantê-los na pesquisa paulista, apesar do assédio de outras instituições e empresas privadas”.

Para ele, com a promulgação da Lei Paulista de Inovação, novas oportunidades estão sendo abertas para inserção no mercado nacional dos produtos e processos desenvolvidos pelo IAC. Confira, na íntegra, a entrevista:

O senhor assumiu a diretoria do IAC no final de outubro. Que prioridades o senhor destacaria para essa nova gestão?

- Em nosso trabalho daremos continuidade aos programas de revitalização dos institutos de pesquisa e de credenciamento e certificação dos laboratórios, adotados pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento neste ano de 2008. Essa ação do governo envolveu recursos complementares na ordem de R$ 11 milhões, destinados aos seis institutos de pesquisa agropecuária da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios [Apta], da secretaria estadual. Destacamos a continuidade desses programas porque a revitalização e o credenciamento são fundamentais para o bom desempenho nas pesquisas desenvolvidas nos seis institutos ligados à Apta e isso vale também para o Instituto Agronômico. Os recursos estão disponíveis para execução, que requer grande movimentação interna no sentido de dar providências às obras e à aquisição de equipamentos. Por exemplo, temos que dar andamento às atividades de licitação, compras e execução de obras. Esses investimentos compreendem a política do governo do Estado de oferecer serviços de qualidade para a sociedade e, nesse sentido, é fundamental que as instituições de pesquisa caminhem, permanentemente, rumo à melhoria da estrutura física e humana. A nossa gestão empreenderá esforços também com foco na implantação de uma política de inovação tecnológica, promovendo a qualificação de nosso pessoal sob o aspecto da legislação que envolve o tema e as oportunidades decorrentes da inovação. É preciso destacar na instituição os benefícios resultantes da proteção de nossas tecnologias e isso passa pela cultura da inovação tecnológica. Vamos incentivar também a intensificação da cooperação com outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais.

O IAC está com 121 anos. Que experiências positivas e negativas, principalmente no tocante à gestão, o senhor poderia citar como exemplo para outros institutos de pesquisa agronômica e tecnológica e que estão vinculados a governos estaduais como o IAC?

- Com 121 anos, o IAC é uma instituição jovem pelo espírito inventivo de seus pesquisadores. Com a promulgação da Lei Paulista de Inovação abrem-se novas oportunidades para inserção no mercado nacional dos produtos e processos desenvolvidos pelo IAC. Nesse período de transição entre a forma tradicional de divulgação de resultados da instituição e a forma que se abre com a nova legislação há um esforço no aprimoramento de gestão dos resultados científicos, seja no âmbito administrativo, seja na esfera prática do fazer ciência. Isso porque o aparato de uma nova legislação pode modificar inclusive a programação científica das instituições, já que essa pode ser influenciada por novas relações com a iniciativa privada e por políticas públicas que estão por vir.

Em entrevista concedida ao jornal Valor Econômico, o senhor disse que o instituto fechará 2008 com um orçamento de R$ 30,5 milhões. Quanto deverá ser o orçamento do IAC em 2009? Que outras fontes de recursos, além do governo estadual, o instituto possui?

- Para 2009, esperamos um orçamento na ordem de R$ 35 milhões – isto como repasse do governo estadual. Além do recurso do Tesouro, temos investimentos das agências de fomento, como Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), CNPq, Finep e Fehidro (Fundo Estadual de Recursos Hídricos). Este ano, até outubro, esses recursos externos somaram R$ 18 milhões. Para 2009, a expectativa é ampliar essa captação externa, especialmente nas áreas de pesquisas com cana-de-açúcar, citros e café.

Na mesma entrevista, o senhor disse que hoje o instituto conta com 212 pesquisadores, com uma idade média de 32 anos, sendo 80% deles com doutorado. Como o IAC conseguiu esse quadro tão jovem e tão capacitado, já que a maioria dos institutos passa justamente por problemas de pesquisadores em fase de aposentadoria, ou já aposentados, e sem condições de adquirir novo quadro?

- A média de 32 anos é referente ao novo grupo de pesquisadores, que representa um terço do total e que entrou há quatro anos na instituição. Em 2004 e 2005, 75 novos pesquisadores foram contratados por meio de concurso público realizado pelo governo estadual. Essa entrada ocorreu após 15 anos sem contratações e realmente houve uma grande renovação em nossa equipe. Embora jovens, os pesquisadores que ingressaram têm em seus históricos muita experiência e titulação acadêmica. Hoje, 81% de todos os nossos pesquisadores têm nível de doutorado e os demais têm mestrado. A credibilidade do IAC atrai jovens talentos de diversas áreas do conhecimento e tem havido um esforço do governo no sentido de mantê-los na pesquisa paulista, apesar do assédio de outras instituições e empresas privadas. Em nosso quadro temos também pesquisadores visitantes, que vêm de outras regiões do país e do exterior. Há ainda os pós-doutorandos e mestrandos que se integram à equipe, além de muitos de nossos pesquisadores que se aposentam e continuam no instituto como voluntários. A estes a pesquisa deve um agradecimento especial, justamente por continuarem oferecendo aos jovens a oportunidade de aprender ainda mais com quem tem longas e ricas experiências.

Como o senhor vê o agronegócio brasileiro? E, neste cenário, como o senhor vê a participação das instituições de pesquisa, das unidades da Embrapa, das Oepas, entre outras, no desenvolvimento deste setor no país?

- O cenário do agronegócio brasileiro traz elementos diversos que por si só remetem a incertezas – colhemos safra recorde de grãos em 2007/2008, acompanhamos a alta nos preços das commodities agrícolas e no custo de produção. A dúvida para a próxima safra surge com a crise econômica mundial. Seja qual for o quadro, a necessidade do apoio advindo da pesquisa agronômica é certa. Em toda e qualquer realidade do agronegócio, o sucesso do agricultor e dos demais elos das cadeias produtivas está intimamente ligado aos sistemas de produção adotados. E aí está a ligação com a pesquisa, com o Instituto Agronômico e os demais institutos da APTA e outros órgãos da Secretaria da Agricultura. E o mesmo vale para a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) e todas as outras instituições da área tão importantes para as lavouras brasileiras. Crescem as preocupações com a necessidade de ampliar a produção de alimentos e, ao mesmo tempo, preservar o ambiente. A solução para essas questões está na pesquisa. De todos nós agentes da ciência depende essas soluções esperadas. Daí a relevância do trabalho interinstitucional e da interação com o setor produtivo, somando recursos e competências. Pois temos os mesmos problemas e precisamos das mesmas soluções.

O IAC é um dos institutos da Apta. Como o senhor vê a atuação da Apta, que é uma associação estadual, e que sugestões o senhor teria para a atuação dessa instituição?

- A Apta é uma coordenadoria dos institutos de pesquisa agropecuária do Estado de São Paulo. Ela congrega os seis institutos – Instituto Agronômico, Instituto Biológico, Instituto de Economia Agrícola, Instituto de Pesca, Instituto de Tecnologia de Alimentos e Instituto de Zootecnia, além de um departamento orientado para promover o desenvolvimento regional, em 15 localidades do Estado, a partir dos resultados científicos dos institutos de pesquisa. Uma importante função da Apta é promover a integração dos diversos programas da pesquisa agropecuária desenvolvidos em suas unidades, de maneira a otimizar a aplicação de recursos humanos e financeiros, viabilizando resultados com tratamento integrado dos diferentes fatores que afetam a produção. Assim, o trabalho entre essas unidades de pesquisa é intimamente desenvolvido, contribuindo também para a consecução das diretrizes de políticas emanadas da Secretaria de Agricultura Estadual.

Fonte: Gestão C&T