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Bragança Jornal Diário online

Novo Código Florestal preocupa especialistas

Publicado em 05 agosto 2010

A proposta do novo Código Florestal Brasileiro tem causado preocupações na comunidade científica, que teme impactos irreversíveis na Mata Atlântica e no Cerrado. O texto já foi aprovado pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados no início de julho e deve ser votado ainda neste ano.

Com o novo Código Florestal, que tem o apoio da bancada ruralista, os estados terão maiores poderes para o estabelecimento de políticas públicas florestais. Para Carlos Joly, coordenador do Programa Biota da Fapesp, as alterações podem, até mesmo, acelerar a extinção de espécies da flora e da fauna.

A mudança no Código Florestal Brasileiro teve repercussões até no exterior. Com o título de "Desmatadores impunes na Amazônia", uma reportagem do diário espanhol "El País", classificou as alterações como desoladoras.

Para o presidente do Instituto Internacional de Ecologia, José Galizia Brundisi, a mudança pode alterar a quantidade e a qualidade da água no país. Uma das maiores autoridades brasileiras em gestão dos recursos hídricos, o pesquisador da USP se mostra preocupado.

"As florestas não só regulam o ciclo zoológico e a qualidade, mas também a quantidade da água e, portanto, por exemplo, a recarga dos mananciais, a recarga dos aquíferos, a qualidade da água depende muito da cobertura vegetal. Então, o impacto do desmatamento, da alteração do código que vai implicar em áreas desmatadas e degradadas, sem dúvida nenhuma, pode causar alterações substanciais tanto na quantidade da água quanto na qualidade e na recarga dos aquíferos. Então esse problema tem que ser muito bem estudado porque água é um insumo fundamental para a agricultura e você não pode correr o risco de, à custa de aumentar a área produzida, diminuir a disponibilidade de água e aumentar a escassez", afirmou Brundizi.

Os defensores do novo Código Eleitoral dizem que as alterações tornariam o setor agrícola brasileiro mais competitivo, já que aumentaria a área agricultável no país. Pelo projeto, os agricultores dos estados amazônicos teriam de manter apenas 20% de suas terras como reserva ambiental, e não os 80% exigidos atualmente.