Notícia

A Folha (São Carlos, SP)

Novo chefe-geral da Embrapa Instrumentação quer intercâmbio do conhecimento

Publicado em 26 novembro 2010

A posse do novo chefe--geral da Embrapa Instrumentação, em São Carlos, Luiz Henrique Capparelli Mattoso, que aconteceu na tarde de ontem (25), foi marcada pela presença do diretor-presidente da Embrapa, Pedro Arraes e a assinatura de convênio para transferência de tecnologia entre a instituição pública e uma privada.

O engenheiro de materiais Luiz Henrique Capparelli Mattoso já está no comando da Embrapa Instrumentação desde o dia 20 de setembro, em substituição a Álvaro Macedo da Silva, que deixou o cargo após estar à frente do Centro por mais de quatro anos. Mattoso é o sexto chefe geral a administrar a Embrapa Instrumentação em 25 anos de existência, com desafios nacionais e internacionais e metas que vão nortear os rumos da Unidade nos próximos seis anos.

Segundo o diretor-presidente da Embrapa, Pedro Arraes, a unidade vem de várias gestões profícuas e é um centro muito especial dentro da estrutura da Embrapa. "E um centro que lida com temas estratégicos e tem uma permeabilidade grande com a comunidade científica e dentro da empresa. ""Nós de Brasília vamos tentar apoiar o máximo possível c fazer permear as inovações que são criadas aqui nas outras unidades da Embrapa, alem de fazer o intercâmbio das novas tecnologias e a iniciativa privada", afirma.

"Tenho certeza que Mattoso vai conseguir criar mecanismos de interação com as outras unidades e esta mão dupla vai gerar muitos resultados positivos para a sociedade brasileira na criação de inovações e de novas tecnologias", afirma Arraes.

O novo chefe-geral da Embrapa Instrumentação Luiz Henrique Capparelli diz que o grande desafio em sua administração é fazer o intercâmbio do conhecimento produzido dentro da instituição para fora estreitando parcerias junto às universidades, empresas privadas e com toda a comunidade científica.

"Nossa sociedade que tanto carece de desenvolvimento, educação e conhecimento podem se beneficiar das nossas tecnologias de uma forma mais palpável e prática", afirma Mattoso.

"Nós já começamos com a transferência de tecnologia com um projeto de R$ 500 mil com a maior produtora de plásticos para embalagem da América Latina. Embrapa e Braskem firmaram convênio de cooperação científica e tecnológica para identificar nanofibras de celulose de diferentes fontes vegetais mais produtivas, com melhor desempenho e biodegradáveis para uso na indústria", afirma Mattoso.

A solenidade também contou com a assinatura de contrato entre a Embrapa Instrumentação e a Fundação Cargill, para instalação de doradores, jardins filtrantes e fossas sépticas biodigestoras nos Bairros Linha Pro28, Vila Franciscana, Renascer e Estrada do Japonês e Viçosa, na cidade de Porto Velho (RO). O contrato terá vigência de dois anos para execução do projeto, no qual serão investidos mais de RS 204 mil para instalação de 37 doradores, 20 unidades da fossa e cinco jardins filtrantes. Em agosto deste ano foi concluído o projeto de instalação de fossas sépticas biodigestoras, que beneficiou 17 famílias da comunidade Associação de -Produtores Rurais da Linha 28 de Novembro - (Asprol) da zona rural de Porto Velho (RO).

Para dar continuidade ao desenvolvimento de ações e, ao mesmo tempo manter o alto nível de pesquisa e conceito do Centro, o pesquisador já traçou um plano de trabalho para as áreas de comunicação e transferência de tecnologia e administração, a fim de dar início à gestão. De acordo com ele, entre as propostas de fortalecer a área de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação destacam-se o estímulo a projetos em parceria com a iniciativa privada, ações socioambientais, participação em políticas públicas em todas as esferas de governo, municipal, estadual e federal; apoio a projetos considerando necessidade de soluções simples, de baixo custo, mas que propiciem maior competitividade e inserção no mercado para pequenos produtores, principalmente agricultura familiar; avançar na fronteira do conhecimento nas áreas de ciência do solo, mudanças climáticas, agricultura de precisão, pós--colheita e nanotecnologia.

Na área de comunicação e transferência de tecnologia, considerada estratégica na Empresa, o chefe geral pretende atuar de forma a fortalecer a divulgação dos resultados de pesquisa em mídia nacional e internacional, além de implementar modelos mais ágeis e flexíveis para a realização de parcerias, convênios, negócios e transferência de tecnologia para a iniciativa privada.

No setor administrativo, a proposta da nova chefia é, entre outras, estimular parcerias com outras unidades em processos diversos, como compras, eventos, buscando melhorar eficiência e baixar custos; e avançar na descentralização de processos que envolvam as unidades Centrais da Embrapa. "Vamos ainda estimular ações de melhorias no ambiente interno, bem como incentivar cursos de aperfeiçoamento e treinamento de todos os funcionários" assegura o chefe geral. Perfil chefe geral Luiz Henrique Capparelli Mattoso é Engenheiro de Materiais com mestrado e doutorado em Ciência e Engenharia dos Materiais pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Possui especialização nas Universidades: Université de Montpellier e Domaine Universitaire Saint Martin d"Hères Grenoble na França, University of Pennsylvania, Estados Unidos, tendo trabalhado com o professor Alan MacDiarmid, Prêmio Nobel de Química de 2000, com o qual publicaram 10 artigos cm revistas especializadas.

Mattoso é pesquisador da Embrapa Instrumentação desde 1994 e liderou vários projetos na Embrapa, FAPESP, CNPq, FINEP e CAPES, somando captação de recursos superiores a 10 milhões de reais, nos temas: nanotecnologia, sensores de interesse para a agroindústria, polímeros condutores, polímeros naturais, compósitos com fibras vegetais, novos usos de produtos agrícolas, desempenho de novos clones de borracha natural e desenvolvimento de materiais de fonte renovável.