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ABC - Academia Brasileira de Ciências

Novo caminho para a divulgação e publicação de artigos científicos

Publicado em 08 agosto 2014

A Academia Brasileira de Ciências reuniu na quarta-feira, 6 de agosto, o diretor do Programa SciELO/Fapesp Abel Packer e a Comissão Editorial dos Anais da ABC (AABC) para discutir o futuro dos periódicos, artigos e pesquisas científicas da instituição. O evento foi organizado pelo editor-chefe do periódico da ABC e paleontólogo, o Acadêmico Alexander Kellner, para compartilhar ideias sobre as possíveis mudanças na publicação e divulgação de trabalhos científicos.

 

Editores de área dos Anais da ABC

 

Na reunião, o diretor Packer anunciou alterações no serviço prestado pela SciELO e comentou sobre as três novas linhas de ação da empresa, que visam avançar e fortalecer a profissionalização da gestão e da operação editorial, ampliar a inserção internacional dos periódicos e desenvolver modelos de financiamento sustentáveis.

 

Com 16 anos de existência, o Programa SciELO foi pioneiro na adoção do acesso aberto e sem embargo para trabalhos científicos. Mantido pela Fapesp com a cooperação técnica do Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (Bireme/OPAS/OMS), a SciELO publica coleções nacionais de periódicos nos países da América Latina e Caribe, Espanha, Portugal e África do Sul. O projeto também opera coleções temáticas em saúde pública, ciências sociais e biodiversidade.

 

Para Packer, não houve nenhuma modificação na maneira como o artigo científico é apresentado. A grande mudança é a desvinculação da unidade da estante para o arquivo online. O mecanismo tradicional foi rompido para se transformar em publicação contínua. "A tendência é ter apenas um grande arquivo por ano em papel com todos os artigos científicos", declarou.

 

Segundo Kellner, existem algumas normas editoriais que a Academia deve seguir. "Periódicos que citam uma nova espécie precisam ser em papel. É certo que ainda precisamos mudar e trabalhar mais com a internet, mas já avançamos bastante", afirmou.

 

A ascensão das redes sociais no meio acadêmico possibilitou outra maneira de trabalhar as referências bibliográficas. Os dispositivos móveis também são bastante utilizados para a pesquisa. Ter um bom aplicativo para smartphones e um portal online vai se tornar o caminho para a divulgação e publicação dos artigos. Assim, haverá um novo modelo de artigo para se adequar aos smartphones e tablets.

 

O download também é outra forma de indicar o acesso aos artigos. Dados da própria SciELO mostram que são feitos em média 1,5 milhões de downloads diários no site. O programa também concluiu que os periódicos de ciências humanas e ciências aplicadas são os mais baixados, e áreas que tem maior fator de impacto são as de biologia molecular, saúde e agricultura.

 

Uma nova ferramenta para desenvolver a comunicação científica é o blog "

SciELO em Perspectiva". O blog compartilha informação e conhecimento orientado dos periódicos, das coleções nacionais e do Programa e Rede SciELO. Como parte da nova plataforma de atividades, além da geração automática de PDF e ePUB dos artigos, o sistema disponibilizará o serviço de "computação em nuvem" para seus usuários a partir de 2015.

 

Desafios

 

A citação é ainda um dos principais desafios para a evolução dos periódicos brasileiros. De acordo com Packer, "por uma questão sociológica, as publicações do Brasil recebem menos citações que a dos outros países". Além disso, artigos com autores estrangeiros têm maior probabilidade de serem citados do que os de apenas autores brasileiros.

 

Outra questão é a edição dos trabalhos científicos em inglês. Para que os pesquisadores do Brasil possam ser mais citados, os trabalhos devem adotar o inglês como idioma principal.

 

De acordo com Kellner, a fraude de artigos científicos ainda é um problema que precisa de atenção. Mas, para Packer, o que mais preocupa os editores é a chamada "salami science", situação em que uma única pesquisa é desdobrada em diversos artigos científicos. Dessa forma, o cientista aumenta seu currículo e cria a impressão de produtividade.

 

Publicações

 

Sobre a distribuição da publicação de periódicos no Brasil, dados da própria SciELO mostram que 51% são veiculados por universidades, 33% por instituições científicas, 14% por outras instituições científicas, como a Fiocruz, e 2% por editoras comerciais. Ao todo, no ano de 2012 foram mais de 35 mil artigos brasileiros originais e de revisão indexados no

Web of Science Core Collection (WoS), principal serviço de indexação baseado em assinatura online mantido pela Thomson Reuters.

Para o diretor Abel Packer, esses dados são importantes para o Conselho Editorial da Academia, pois mostra as mudanças na política editorial no país e o aumento do número de periódicos brasileiros através do sistema SciELO.