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Novidades online da SciELO Brasil

Publicado em 28 abril 2000

Com 41 revistas, 348 fascículos e mais de 5.700 artigos publicados, a SciELO Brasil parece já ter se tornado referência obrigatória para a pesquisa científica em nosso país. Conheça aqui as novas publicações que ela está colocando à sua disposição. Realizada pela Fapesp, Bireme e editores científicos, scibLO Brasil publica revistas de várias áreas do conhecimento, oferecendo acesso direto e gratuito aos textos completos de artigos científicos no formato HTML e, em alguns casos, também em PDF. Eis suas novas publicações: Arquivos Brasileiros de Cardiologia (www.scielo.br/abc) - Órgão da Sociedade Brasileira de Cardiologia, aceita artigos em português ou inglês sobre temas cardiovasculares, como novas investigações, experiências clínicas ou cirúrgicas e outras contribuições originais. Arquivos de Neuropsiquiatria (www.scielo.br/anp) - A revista da Academia Brasileira de Neurologia publica artigos científico-tecnológicos em português, inglês ou espanhol resultantes de pesquisas clínicas e experimentais em neurologia e áreas afins. Cerâmica (www.scielo.br/ce) - Publicada pela Associação Brasileira de Cerâmica, divulga contribuições originais em português ou inglês de interesse para a área, compreendendo arte cerâmica, abrasivos, biocerâmicas, cerâmicas avançadas etc. Revista Brasileira de Psiquiatria (www.scielo.br/rbp) - Órgão da Associação Brasileira de Psiquiatria e da Asociación Psiquiátrica de Ia América Latina, divulga trabalhos originais em português, inglês ou espanhol, em todas as áreas da psiquiatria, com ênfase em saúde pública, epidemiologia clínica, ciências básicas e problemas de saúde mental. Revista de Antropologia (www.scielo.br/ra) - Fundada por Egon Schaden em 53 e publicada pelo Depto. de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, publica artigos, resenhas e traduções nacionais e internacionais nesse campo. Revista do Hospital das Clínicas (www.scieio.br/clinicas) - Editada pela Faculdade de Medicina da USP, a revista publica artigos em inglês de interesse para clínicos e pesquisadores em medicina. Todas as revistas publicadas pela SciELO Brasil possuem sistemas de avaliação por pares para a aprovação de originais para publicação. SciELO Brasil - Scientific Electronic Library Online, Fapesp, Bireme, Editores científicos - Site: E-mail: Após a aposentadoria ainda afasta muitos professores e pesquisadores excelentes", afirma Maria Dalva Silva Pagotto, diretora da Unesp (Universidade Estadual Paulista) em São José do Rio Preto. Seu campus perdeu 25 doutores nos últimos três anos. Marcos Nascimento Magalhães, diretor da Adusp (Associação dos Docentes da USP), acrescenta como motivos da evasão a defasagem salarial, as "avaliações autoritárias" e a "desvalorização" do trabalho do professor. Shinyashiki diz que, apesar dos revezes, a universidade publica mantém intocados o charme e a atração, com o ambiente acadêmico, a excelência de sua pesquisa, o status, o prestígio que confere aos seus docentes e a estabilidade como servidor público. "Tanto é verdade que poucos docentes pedem demissão." Widsney Alves Ferreira, 54, chefe de gabinete da reitoria da Unesp, afirma que apenas a universidade pública tem como garantir a formação plena de professores aptos à pesquisa. "E um processo muito longo e caro", diz. Sem contratações Entre dezembro de 97 e maio de 99, a Unesp ficou proibida de fazer contratações. Justamente nesse período, os pedidos de aposentadoria atingiram o máximo: 199 professores deixaram a universidade - que tem 15 campus espalhados Pelo Estado - e não foram substituídos. O mesmo problema atingiu a USP e a Unicamp. Os motivos alegados pelo governo estadual para brecar as contratações foram à queda na arrecadação de ICMS e o aumento dos gastos com inativos. A autonomia obtida pelas três universidades paulistas em 1989 lhes garantiu um bolo de 9,57% do ICMS do Estado, mas determinou-lhes a obrigatoriedade de pagar seus inativos. O percentual gasto com professores e funcionários inativos na Unesp passou de 11% em 1989 para 28% neste ano. Na USP, o aumento foi de 16% para 42% no mesmo período. Públicas controlam pesquisa A supremacia nas pesquisas é um dos trunfos das universidades públicas na concorrência com as particulares pelos melhores profissionais do mercado. Essa avaliação é unânime entre representantes dos dois lados. Reitores, dirigentes e professores estimam que as universidades públicas são responsáveis por 90% da pesquisa científica feita no Brasil. A distribuição das verbas dos órgãos fomentadores segue a mesma proporção. No ano passado, a Fapesp (Fundo de Amparo à Pesq0uisa do Estado de São Paulo) destinou R$ 149 milhões para bolsas de iniciação científica e auxilio à pesquisa na Universidade de São Paulo. A Unicamp recebeu R$ 54,1 milhões, e a Unesp, R$ 35,9 milhões. As universidades federais levaram R$ 40,7 milhões, e as particulares, cerca de R$ 8 milhões. Essa diferença de verbas recebe críticas dos dirigentes das instituições pagas. "Há preconceito contra o pesquisador da universidade privada", diz Nery Aguiar Porchia, pró-reitor da Unimar. José Fernando Perez, diretor científico da Fapesp, nega. "Não há discriminação nenhuma. Nossos critérios de avaliação são transparentes. Não falta dinheiro para as boas pesquisas", afirma. Os critérios, segundo Perez, são qualidade do projeto, metodologia proposta, relação custo beneficio no orçamento previsto e competência da equipe e do pesquisador. (ES) BOLSAS PODEM EVITAR SAÍDAS Implantar um sistema de bolsas para manter na universidade pública o professor aposentado com boa qualificação é a sugestão da antropóloga da USP Eunice Dur-ham, coordenadora do Núcleo de Pesquisas Sobre o Ensino Superior em São Paulo. Para ela, essa é a melhor forma de impedir a migração dos mais titulados para o atraente mercado das universidades pagas. "A universidade está perdendo seu pessoal sênior no auge da produtividade. Não há razão para um professor se aposentar com 50 anos. Com certeza, ele pode trabalhar mais 10 ou 15 anos", diz Eunice Ela se aposentou na USP depois de 40 anos de trabalho, mas permanece ligada à universidade como voluntária. Eunice Durham afirma que o atual sistema de aposentadoria dos professores universitários é "uma loucura", porque torna inviável o ensino publico no Brasil. Ela defende uma reestruturação completa e diz que ficaria muito mais barato e viável para a universidade manter um professor aposentado e bem qualificado pagando R$ 1300,00 do que contratar novatos. Questionada sobre a atração dos altos salários pagos pelas escolas privadas, a antropóloga diz que, com a bolsa, muitos docentes ficariam na universidade pública, porque lá dão menos aulas, têm mais infra-estrutura de pesquisa e mais condições de obter financiamentos. (ES) LDB MOTIVA O ASSÉDIO AOS QUALIFICADOS O assédio das instituições particulares de ensino aos docentes qualificados das universidades públicas tem uma razão especial: adequar-se às normas da LDB (Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional). A Lei 9.131, de 24 de novembro de 95, estabeleceu que até 2004 as unidades deverão ter um terço de seu corpo docente com titulação acadêmica e trabalho em tempo integral para serem reconhecidas como universidade. Ou seja: garantir espaço de ensino, pesquisa e extensão. Além de cumprir essas evidências, as instituições não podem tirar notas baixas por três anos seguidos na avaliação do MEC, que se baseia em três pontos: resultado do provão, titulação dos docentes e qualidade das instalações para ensino e pesquisa. As regras não são aceitas passivamente. Reitores das instituições particulares, reunidos na Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup), propõem que a nota do aluno passe a ser pública, para comprometer também o estudante. Wilson Maurício Tadini, ex-diretor da Unesp de Rio Preto e atual responsável pela Fundação de Educação e Cultura de Santa Fé, diz que a LDB é um remédio muito forte e pode acabar "matando o doente em vez de combater a enfermidade". Segundo ele, as instituições não têm como ingressar no universo da pesquisa e do tempo integral com a rapidez e o rigor exigidos pela lei. ooraue lhes falta tradição, além de cursos de pós-graduação para atender a demanda. ADEQUAÇÃO A fundação de Santa Fé deu os primeiros passos para se adequar à lei federal há três anos, implantando oito cursos de formação de mestres. No mesmo período, a Unimar, de Marília, criou 12 cursos de pós-graduação para qualificar seus profissionais e contratou cerca de 70 doutores, segundo o pró-reitor Nery Aguiar Porchia. A Unifran, de Franca, também investiu na pós-graduação e, segundo o pró-reitor José da Silveira Mala, tem no seu quadro hoje 58 doutores em tempo integral. A Unoeste, de Presidente Prudente, iniciou seus cursos de pós-graduação há cinco anos e mantém hoje 266 mestres ou doutores, o que corresponde a um índice geral de 30% de titulação. (ES) 'Migração' traz riscos, diz professor Romildo Sant'Anna, 51, ex-professor livre-docente da Unesp de São José do Rio Preto, deixou a universidade pública após 23 anos, transferindo-se para uma instituição privada, a Unimar, Universidade de Marília (SP). Sant'Anna, ganhador do prêmio Casa das Américas, de Cuba, em 87, é escritor, cineasta e especialista cm cultura caipira. Para ele, a "migração" de docentes qualificados é uma ameaça para o ensino superior gratuito, que cone o risco de ser superado em médio prazo pela educação paga. Leia a seguir os principais trechos da entrevista. Agência Folha - O que atraiu o Sr. na proposta da Unimar? Romildo Sant'Anna - Eles me ofereceram boas condições de trabalho e um salário muito bom. Agência Folha - Quanto? Sant'Anna - Na Unesp, meu salário como aposentado proporcional é de R$ 3.701, com todos os qüinqüênios e gratificações. Na Unimar, ganho um pouco mais por uma jornada bem menor. Agência Folha - Qual é o futuro das universidades pagas? Sant'Anna - Creio que o provão vai dar uma peneirada muito grande. Há particulares muito boas, com corpo docente qualificado, preparação laboratorial e tempo integral Acredito que, em alguns anos, haverá uma concorrência e, provavelmente, até a superação da universidade pública pela particular. Agência Folha - Caiu a qualidade do ensino nas públicas? Sant'Anna - Acho que não. USP, Unesp e Unicamp continuam sendo as principais do país. As particulares é que estão melhorando. Temo pelo futuro do ensino gratuito em médio prazo. Agência Folha - Os cérebros estão migrando, mas os melhores alunos ainda preferem a universidade pública. A tendência não é substituir rapidamente os medalhões que saem? Sant'Anna - A concorrência no vestibular em algumas áreas é tão grande que alunos muito bons têm de ir para o ensino privado. Além disso, experiência não se conquista no início da carreira. Agência Folha - Essa migração significa que o dinheiro público investido na formação dos professores está financiando a ascensão das particulares? Sant'Anna - Sim. O investimento público é alto, mas quando os professores estão maduros são obrigados a deixar a universidade pública ou continuar como voluntários. Aí, as particulares os recebem de braços abertos, é lógico. Agência Folha - Além do salário, quais são os fatores de atração das universidades privadas? Sant'Anna - O nível de cobrança por resultados é o mesmo, mas a burocracia é menor, e as verbas são liberadas rapidamente. Agência Folha - O status de professor de uma universidade pública não lhe faz falta? Sant'Anna - Esse charme não me atrai Sou pai de família e preciso manter meu padrão de vida. Agência Folha - Há preconceito contra o professor da particular na concessão de bolsas? Sant'Anna - Ainda há, mas está mudando com o provão. Eu mesmo recebi uma bolsa do CNPq com um projeto de pesquisa desenvolvido na Unimar. Agência Folha - Então, o Sr. faz parte do grupo de professores que acumula três salários? Sant'Anna - A bolsa é dada por mérito acadêmico e pelo projeto de pesquisa. A aposentadoria é um direito adquirido. A pessoa bem qualificada, depois de aposentada, pode trabalhar onde quiser. O que não pode é enferrujar e entregar os pontos. (ES)