Notícia

Jornal da Unesp

Novidades contra tuberculose

Publicado em 01 outubro 2013

Por André Louzas e Luciana Maria Cavichioli

Nas últimas décadas, surgiram variedades do bacilo Mycobacterium tuberculosis cada vez mais resistentes aos medicamentos. Para enfrentar essas mutações do principal microrganismo causador da tuberculose, centros de pesquisa de todo o mundo promovem investigações em busca de novos fármacos.

Um dos grupos que participam desse esforço atua na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), Câmpus de Araraquara, sob a coordenação dos professores Clarice Queico Fujimura Leite e  Fernando Rogério Pavan. “Trabalhamos em colaboração com outros pesquisadores, tanto na Unesp como em outras universidades, e o que buscamos é a famosa “bala mágica” descrita por Paul Erlich, ou seja, uma substância que seja ativa contra o bacilo da tuberculose e segura para o paciente”, esclarece Pavan.

Entre os estudos realizados, duas modalidades de fármacos apresentaram resultados animadores contra a doença. O primeiro deles envolve substâncias do grupo químico das fosfinas, associadas ao metal rutênio. Esse produto vem sendo desenvolvido conjuntamente com estudiosos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), sob a supervisão do professor Alzir Azevedo Batista.

O segundo baseia-se em substâncias derivadas da associação de quinoxalina com o metal ferro. Nesse trabalho, o desenvolvimento do fármaco vem sendo feito em colaboração com a equipe das professoras Maria Helvécia Torre Gauyta e Dinorah Gambino Vedani, da Universidad de la República, de Montevidéu, no Uruguai.

Nos dois casos, as substâncias foram sintetizadas nas instituições parceiras e passaram por testes de laboratório em Araraquara. Esses compostos se mostraram eficientes em estudos in vitro contra o próprio bacilo da Tuberculose (Mycobacterium tuberculosis), como em amostras clínicas de pacientes contendo a doença em seu estado de resistência aos medicamentos tradicionais.

As novas substâncias também demonstraram baixa toxicidade, tanto em testes com células humanas quanto com camundongos. Além desses fatores positivos, espera-se que as novas substâncias possam reduzir o tempo e a quantidade de pílulas ingeridas pelo paciente – fatores que costumam levar ao abandono do tratamento e facilitar o aparecimento de modalidades mais vigorosas da doença. Além de representarem uma alternativa mais prática e econômica, as substâncias em estudo poderão ser mais eficazes em pacientes com infecções resistentes aos medicamentos atuais.

Atualmente, segundo Pavan, os fármacos estão em fase de aprimoramento, por meio do uso de recursos da nanotecnologia juntamente com o grupo coordenado pelo professor Marlus Chorilli, também da Unesp de Araraquara. “Numa próxima etapa, vamos testar a eficácia desses produtos in vivo, em animais infectados”, explica.

O pedido de patente da tecnologia das substâncias já foi depositado pela Agência Unesp de Inovação (Auin) em colaboração com orgão de fomento da Fapesp.

Mais informações podem ser obtidas em <http://migre.me/g8Dvy>