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Ambientebrasil

Novidade na carta de vinhos

Publicado em 15 março 2007

Uma nova variedade de uva destinada à indústria do vinho foi lançada por pesquisadores da Embrapa Uva e Vinho, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, em Bento Gonçalves (RS).
Batizada como BRS Margot, a uva surge como uma boa alternativa para a competitividade do vinho brasileiro: suas características combinam a qualidade dos vinhos finos com baixo custo de produção.
Desenvolvida pelo Projeto de Melhoramento Genético da Videira, a cultivar foi obtida a partir do cruzamento de duas variedades: a merlot, uva fina proveniente da região de Bordeaux, na França, e a villard noir, variedade de origem norte-americana que possui alta resistência a doenças e é cultivada em grande parte dos países produtores de vinho.
"No Brasil, temos um clima atípico para o cultivo de uvas finas, que são tradicionais de climas quentes e secos. Como o verão brasileiro é marcado por fortes pancadas de chuvas, as safras brasileiras desse tipo de uva sofrem com diversos tipos de doenças", disse o coordenador do projeto, Umberto Camargo, à Agência Fapesp.
A solução, explica o agrônomo da Embrapa Uva e Vinho responsável pelo trabalho, foi criar uma variedade intermediária que agregasse as características de fineza das uvas européias com a alta resistência das uvas tradicionalmente norte-americanas, mantendo sua produção adaptada ao clima brasileiro. Para isso, a merlot foi utilizada como "mãe" e a villard noir como "pai".
"Antes da floração, retiramos com uma pinça a parte masculina da merlot e deixamos apenas o ovário, técnica conhecida como emasculação. Em seguida coletamos o pólen da villard noir para fecundar a merlot", explica Camargo. Na fase da maturação, os cachos polinizados foram separados e suas sementes retiradas para germinar plantas distintas, porém com características das duas variedades.
As plantas obtidas foram testadas e avaliadas em campo. "Nessa etapa, as variedades mais promissoras foram selecionadas, levando em conta o índice de produtividade, teor de açúcares, resistência a doenças e qualidade geral da uva, até chegarmos na BRS Margot", conta o pesquisador.
Testes em campo - Em testes realizados em uma área de 2 hectares na cidade de Flores da Cunha, no Rio Grande do Sul, a fruta apresentou alta produtividade. Na terceira colheita experimental, cerca de 30 toneladas do produto foram obtidas dos parreirais. Uvas finas como a merlot rendem, em média, oito toneladas nessa mesma área plantada.
"Para o vinho brasileiro competir com os chilenos, argentinos e europeus que entram no país, temos que ter preço e qualidade. Preço baixo está diretamente relacionado com a alta produtividade da fruta", afirma. Depois de ser aprovada nas análises químicas e sensoriais, a BRS Margot foi utilizada pelos técnicos da Embrapa para a elaboração de vinho tinto de mesa em escala semi-industrial.
"Conseguimos produzir uma categoria de vinho fino com um preço acessível à maioria da população brasileira. O preço final da garrafa produzida em escala industrial não deverá chegar a R$ 10", prevê o pesquisador. O vinho da cultivar possui cor vermelho rubi e aroma de intensidade média.
Segundo Camargo, existem mais de 10 mil variedades de uva em todo o mundo. O Banco de Germoplasma da Embrapa tem cerca de 1,3 mil. A BRS Margot é indicada para produtores do Rio Grande do Sul, estado que detém 95% da produção nacional de vinhos. (Thiago Romero/ Agência Fapesp)