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Novas formulações elevam venda de solvente

Publicado em 22 novembro 2006

A tendência de redução do uso de produtos tóxicos em mercados como Estados Unidos e Europa impulsionará as vendas, no Brasil, de solventes oxigenados fabricados por empresas como Rhodia e Oxiteno, em substituição aos solventes hidrocarbonetos. Esse processo, em fase avançada na Europa e na América do Norte, ainda está em etapa inicial no Brasil, mas cria cenário favorável às vendas de oxigenados por pelo menos 20 anos, destaca o diretor da área de solventes da Rhodia, Alexandre Castanho.
Essa substituição deve ser propiciada principalmente por filiais de grupos multinacionais que passam a adequar a composição de seus produtos às novas formulações desenvolvidas pelas matrizes. Atualmente, o Brasil representa 5% a 7% desse mercado, que movimentou US$ 10,6 bilhões no mundo em 2005, segundo dados da empresa de consultoria Freedonia.
Para Castanho, o processo de substituição de solventes ajudará o mercado de oxigenados a crescer ao menos 10% ao ano, em média, nos próximos anos. O executivo credita esse potencial de crescimento ao fato de a relação entre hidrocarbonetos (mais poluentes) e oxigenados no País ainda estar muito aquém da registrada no Hemisfério Norte.
Segundo a Freedonia, o consumo de hidrocarbonetos na América do Norte em 2005 foi de 1,52 milhão de toneladas, contra a demanda de 3,66 milhões de toneladas de oxigenados. Para 2010, a projeção do instituto é de que o consumo de hidrocarbonetos caia para 1,34 milhão de toneladas, contra 4,05 milhões de toneladas de oxigenado. Ou seja, o volume de oxigenados será quase três vezes maior do que de hidrocarbonetos. Na América Latina, por sua vez, o consumo de oxigenados é de 778 mil toneladas, contra 1,10 milhão de toneladas de hidrocarbonetos. Em 2010, a demanda por oxigenados saltará para 957 mil toneladas, enquanto a de hidrocarbonetos ficará em 1,19 milhão de toneladas.
Parte desse crescimento no País se dará pela substituição de solventes hidrocarbonetos por oxigenados, processo que já pode ser visto, de forma moderada, nos segmentos de tintas imobiliárias, de impressão e industriais.
O diretor executivo do Sindicato Nacional do Comércio Atacadista de Solventes de Petróleo (Sindsolv), Ruy Ricci, destaca que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com sua Resolução nº 345 de 15 de dezembro do ano passado, contribuiu para o desenvolvimento de novos produtos. Segundo a resolução, as empresas consumidoras de colas, thinner, adesivos e corretivos devem identificar métodos e processos que possibilitem a substituição gradativa de substâncias inalantes capazes de promover depressão na atividade do sistema nervoso central, ou seja, produtos com maior toxicidade.
O consumo global de solventes totalizou 17 milhões de toneladas em 2005. Os oxigenados responderam por 9,3 milhões de toneladas, enquanto os hidrocarbonetos totalizaram 6,8 milhões de toneladas — outras 900 mil toneladas são de solventes clorados. Os resultados indicam uma reversão da tendência registrada pela Freedonia em 2000.

Competitividade
Com o aumento do volume produzido e o desenvolvimento de novas tecnologias, os fabricantes têm conseguido reduzir o preço dos oxigenados e ampliar o acesso ao produto. "Atualmente, esses itens ainda estão entre 15% e 20% mais caros do que os hidrocarbonetos, mas essa diferença já foi de cerca de 50% há 10 anos", revela o diretor da Rhodia. Outro segmento que deverá passar pelo processo de substituição de hidrocarbonetos por oxigenados, prevê Castanho, é o de adesivos, usados na produção de calçados e móveis, entre outros itens. O executivo revela que a empresa já tem, inclusive, formulação compatível para substituir o uso do hidrocarboneto nesse segmento.
A gerente de mercado da Oxiteno, Andréa Campos Soares, destaca a importância do desenvolvimento de solventes por parte dos fabricantes e também a necessidade de aprovação por parte dos clientes. "Essa mudança implica em reformulação dos produtos finais que serão colocados no mercado e dependem da aceitação ou não dos custos pelo mercado final", analisa a executiva da empresa, cuja receita líquida foi de R$ 1,6 bilhão em 2005.
Os principais fabricantes de solventes oxigenados do País são a Rhodia e a Oxiteno que, somadas, fornecem mais da metade do volume de solventes oxigenados demandados no Brasil, estima o diretor da Rhodia, empresa cujo faturamento no Brasil totalizou US$ 935 milhões no ano passado.

Mercado em potencial
Outro setor que pode ser tornar grande consumidor de solventes é o agronegócio. Este, no entanto, ainda está longe de avanços significativos na substituição de produtos mais poluentes porque as matrizes das grandes multinacionais instaladas no Brasil ainda não encontraram formulações apropriadas para a substituição dos hidrocarbonetos. Prova disso é que o consumo de hidrocarbonetos em território europeu em 2005 totalizou 1,91 milhão de toneladas, volume 25% superior ao consumido na América do Norte. "A utilização desse produto em defensivos agrícolas representa quase a totalidade dos hidrocarbonetos consumidos na Europa", destaca Castanho.

Novidades
A Petrobras, maior fabricante de solventes hidrocarbônicos do País, também está se adequando à demanda do mercado. "Ela vem desenvolvendo novas alternativas de solventes para o setor de tintas, com características menos agressivas ao meio ambiente e com menos compostos de orgânicos voláteis", diz o gerente de marketing de produtos químicos da Petrobras Distribuidora, Luiz Cláudio Mandarino.
Apesar de constatar uma redução no uso de solventes no mercado de tintas, a Petrobras tem conseguido manter sua participação e posicionamento no setor que corresponde a um faturamento de R$ 90 milhões por ano, o que significa em torno de 10% do faturamento total da área de produtos químicos da empresa, destaca Mandarino.

Líderes do setor operam no limite da capacidade
As empresas líderes do mercado de solventes oxigenados no País, Rhodia e Oxiteno, precisarão investir caso queiram atender ao aumento da demanda interna. Tudo porque as duas empresas operam com sua capacidade de produção praticamente no limite.
"Estamos trabalhando com nossa capacidade saturada", revela o presidente da Rhodia América Latina, Marcos De Marchi. Atualmente, a capacidade de produção da empresa está em 300 mil toneladas. Para o próximo ano, a empresa prevê investir cerca de US$ 50 milhões no País e são reais as chances de que parte do investimento seja direcionada para a produção de solventes.
A Oxiteno produz cerca de 150 mil toneladas de oxigenados. Atualmente, a empresa trabalha com 90% de sua capacidade instalada, destaca a gerente de mercado da empresa, Andréa Campos Soares.
Uma das saídas que podem ser trabalhadas pela fabricante para ampliar a produção de solventes é recorrer ao uso da cana-de-açúcar como insumo do produto, em substituição a derivados do petróleo. No último dia 16, a Oxiteno, empresa do grupo Ultra, anunciou parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para desenvolver tecnologias para produção de açúcares, álcool e derivados a partir do etanol.