Notícia

A Cidade On (Araraquara, SP)

Novas estratégias de combate à dengue

Publicado em 05 março 2011

Por Juliano José Corbi*

Juliano José Corbi*

Há muito tempo tem-se discutido as diferentes formas de se lidar com a questão da dengue em Araraquara.

Há muito tempo tem-se discutido as diferentes formas de se lidar com a questão da dengue em Araraquara. Essas discussões devem sempre passar pelo entendimento de que estamos lidando com uma espécie de mosquito, o Aedes aegypti. A maioria das espécies de mosquito está muito mais bem adaptada a viver em ambientes naturais ou urbanos se comparada com os seres humanos. Dessa forma, é natural que a população de um mosquito se reproduza mais e tenha grandes chances de sobreviver e aumentar rapidamente a sua população. Vale ressaltar que isso não é uma guerra, e não é o objetivo do mosquito extinguir a espécie humana. Aliás, vale lembrar que muitas espécies sobrevivem na natureza pela cooperação e não pela competição. Infelizmente, em alguns casos, a superpopulação de uma espécie pode prejudicar a sobrevivência de outra.

Pois bem, como controlar um mosquito que se reproduz muito rapidamente e produz inúmeros descendentes em poucos dias? Especialmente em Araraquara, com o clima favorável, como devemos encarar esta questão? Devemos lembrar que em nossas condições climáticas as fêmeas do mosquito emergem em maior número, e em certos casos, ao picarem as pessoas, podem transmitir a dengue. Vale lembrar que a população do mosquito em nosso município tem um ciclo de vida mais rápido, com menor mortalidade das larvas e maior emergência de fêmeas.

Em artigos anteriores, apresentamos diferentes respostas às questões feitas acima sobre o combate do Aedes aegypti e como evitar acúmulo de água parada, manter caixas d’água fechadas e evitar acúmulo de lixo. Essas informações são, sem dúvida, fundamentais no combate ao mosquito e ao crescimento do número de casos de dengue. Entretanto, nos últimos dias, uma nova pesquisa apresentou dados importantes que podem nos levar à solução, ou ao menos a uma melhora, no combate ao mosquito transmissor. Trata-se de uma solução genética! Por meio de manipulação genética, uma população de machos da espécie Aedes aegypti, criada em laboratório, recebe um gene modificado que produz uma substância que mata todos os filhotes do cruzamento com fêmeas normais existentes em qualquer ambiente. Os descendentes do cruzamento morrem ainda na fase de larva ou pupa. Essa estratégia pode levar à diminuição da população do Aedes aegypti e evitar a necessidade da utilização de grandes quantidades de inseticidas e larvicidas para eliminar os mosquitos. Os mosquitos machos, que não picam e não transmitem a doença (ao contrário das fêmeas), são soltos em locais específicos para competir com os machos selvagens (naturais). Dessa forma, estima-se que para cada macho selvagem devam ser soltos 5 machos transgênicos. Assim, com a redução do número de descendentes, haverá uma menor população do mosquito, com posterior diminuição de casos de transmissão da doença. Logicamente que, para o desenvolvimento de tais estudos, necessita-se de autorização da CTNBio, órgão responsável pela regulamentação dos transgênicos no país.

Vários estudos desse tipo já foram realizados no mundo. E os resultados demonstram que, em alguns casos, houve a diminuição de até 80% da população selvagem do local. Dessa forma, parece que poderemos reduzir a superpopulação desse mosquito em nosso município. Para maiores informações e contatos sobre esse recente estudo, consultem a revista Pesquisa FAPESP, número 180 de fevereiro de 2011, no site www.fapesp.br.

*Doutor em Ciências, pós-doutor em Zoologia, professor de Zoologia dos Invertebrados Uniara