Notícia

Jornal da Unesp

Nova vacina para peixes

Publicado em 01 junho 2015

Por Luciana Maria Cavichioli

A infecção causada em diversas espécies de peixes pela bactéria Streptococcus agalactiae representa hoje o maior problema sanitário para os produtores. Em busca de uma solução para essa enfermidade, pesquisadores do Departamento de Patologia Animal da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias (FCAV), da Unesp de Jaboticabal, desenvolveram uma nova vacina para prevenir a estreptococcose, testada com sucesso em tilápias-do-nilo.

Atualmente doutorando na FCAV, Paulo Fernandes Marcusso trabalhou nessa vacina em seu mestrado, entre 2012 e 2014, com a orientação do professor Flávio Ruas de Moraes, da FCAV, e a co-orientação do professor Rogério Salvador, da Universidade Estadual do Norte do Paraná (Uenp). O envolvimento do grupo com a produção de vacinas para peixes começou em 2005, durante a tese que Salvador realizou no Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp), orientado por Moraes.

“Embora tenha se verificado uma eficiência da primeira vacina testada (inativada pelo calor), sabíamos que essa tecnologia poderia ser melhorada”, explica Marcusso. Vacina inativada é aquela em que os microrganismos que ela contém estão mortos.

A partir da experiência de produção da primeira vacina, começou a ser produzida uma alternativa mais eficiente, inativada a partir de sonicação: “Nesse processo ocorre uma fragmentação aleatória por meio da aplicação do ultra-som, quebrando a parede das bactérias e liberando as moléculas que dão início à resposta imunológica e, portanto, induzem a proteção ao animal”, diz o pesquisador.

A sonicação tem como vantagens o pouco tempo de aplicação do ultra-som e a pouca ou nenhuma necessidade de reagentes químicos, já que a lise bacteriana (a morte da bactéria) é física. Além disso, a sonicação induz a fragmentação e solubilização de estruturas antigênicas (que desencadeiam a resposta imunológica) e a simplificação da produção da vacina, com redução de custos.

Além de Marcusso, Moraes e Salvador, os trabalhos envolveram os pesquisadores Silas Fernandes Eto, Dayanne Carla Fernandes e Fausto de Almeida Marinho Neto. As pesquisas de mestrado (Processo 2012/07534-8) e de doutorado (Processo 2013/24852-6) de Marcusso tiveram apoio da Fapesp.

“Agora, em meu projeto de doutorado, estamos estudando a expressão da imunoglobulina M (principal anticorpo dos peixes) nos órgãos dos peixes vacinados”, esclarece Marcusso. O pedido de patente da vacina foi realizado junto ao INPI pela Agência Unesp de Inovação. “O nível de proteção garantido pela vacina e o consequente retorno financeiro ao piscicultor representarão de fato nosso grande prêmio pelo desenvolvimento dessa tecnologia”, completa.

Para mais informações: <auin@unesp.br>

Agência Unesp de Inovação (AUIN)