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Antena 1

Nova tecnologia substitui comprimidos por nanopartículas

Publicado em 13 agosto 2019

Por Letícia Furlan | Rádio Antena 1

Ela foi capaz até mesmo de desenvolver um colírio que pode ser borrifado com as pálpebras fechadas.

Também conhecida como disfagia, a dificuldade de deglutição pode colocar o paciente em risco de desnutrição, desidratação e/ou pneumonia aspirativa. Nestes casos, o enfermo costuma ter dificuldade no trânsito alimentar desde a boca até o estômago.

Esse sintoma é muitas vezes ligado a alguma doença, muitas vezes, neurológica, como o Mal de Alzheimer. Já alguns estudos revelam que o problema estaria ligado ao próprio processo de envelhecimento, podendo ocorrer mesmo em idosos saudáveis.

Um ato aparentemente simples, e geralmente frequente para estes pacientes, como engolir um comprimido de medicação, causa desconforto. E esse é um dos sintomas mais comuns da disfagia. Isso porque fazer o comprimido percorrer a faringe e o esôfago, com precisão, exige coordenação e força muscular.

Nos casos de pessoas com Alzheimer, as alterações na deglutição começam com queixa de engasgos durante a ingestão de alimentos, principalmente os líquidos. Com o avanço da doença, o paciente pode ter dificuldades com alimentos de outras consistências, levando até mesmo a uma deficiência nutricional.

Solução

Foi pensando nisso que uma startup de Ribeirão Preto, em São Paulo, desenvolveu uma técnica inovadora capaz de eliminar as cápsulas de remédio. A equipe conseguiu produzir também colírios que podem ser absorvidos com as pálpebras fechadas. Tudo para facilitar a vida, principalmente, dos idosos.

Os pesquisadores, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e com o Hospital das Clínicas, utilizaram a nanotecnologia para desenvolver o produto, sem perder a ação dos componentes farmacêuticos.

Submetida a uma máquina que trabalha com alta pressão, a molécula do princípio ativo fica um bilhão de vezes menor e pode ser misturada em outros alimentos, como sucos ou mesmo na água, facilitando a ingestão pelo paciente.

“Um óleo nutriente, utilizado para prevenção de doenças cardíacas, a gente consegue solubilizar na água. Ele tem um tamanho de partícula bem pequenininho. Isso facilita a ingestão por crianças, idosos e outras pessoas que utilizam”, explica o farmacêutico Gustavo Cadurim.

A startup foi financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, a Fapesp, e recebeu a licença da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para desenvolver alimentos, remédios e cosméticos em versão nano.

E até mesmo os colírios entraram na brincadeira dos pesquisadores. Agora, eles podem ser borrifados com as pálpebras fechadas, em perder sua eficácia. E cápsulas de ômega três, conhecidas pelo tamanho avantajado, viram gotas.

“Ele facilita a ingestão por quem não consegue tomar as cápsulas oleosas, porque eles podem causar problemas na hora da deglutição. Com essa forma hidrossolúvel, a gente consegue colocar na água ou em qualquer outra bebida”, afirma Cadurim Além disso, segundo o farmacêutico, a absorção das substâncias pelo organismo chega a ser dez vezes maior do que a obtida com a ingestão de cápsulas.

O CEO da startup, o processo de nanotecnologia deve baratear o custo dos produtos feitos no Brasil. “Esse investimento que está sendo realizado vai propiciar nossa indústria a trazer tecnologias que só existem lá fora, o que vai baratear o produto para o consumidor final, além de geração de empregos e impostos. É coisa que a gente deixa de importar para fabricar aqui”.

Outro benefício da tecnologia é que ela deixa o gosto e o cheiro dos medicamentos mais agradáveis. Os pesquisadores dizem que o processo de fabricação usa apenas produtos naturais.