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Revista Hosp

Nova tecnologia para pacientes de alto risco

Publicado em 01 março 2009

Laboratório de Pneumologia da FMUSP, em conjunto com a Escola Politécnica e o Instituto de Matemática Aplicada da USP, desenvolve tomógrafo de impedância elétrica (TIE) que monitora pulmão de pacientes em UTIs.

A Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) desenvolveu o projeto inédito, de um tomógrafo de impedância elétrica (TIE), lançado em dezembro de 2008. A nova tecnologia levou 10 anos para ser desenvolvida pelo Laboratório de Pneumologia da FMUSP, em conjunto com a Escola Politécnica e o Instituto de Matemática Aplicada da Universidade. Nos últimos quatro anos, o trabalho contou ainda com a colaboração da empresa Dixtal Biomédica, especializada em equipamentos médico-hospitalares.

O projeto, que foi financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), contou com a participação de engenheiros elétricos, bioengenheiros, programadores, matemáticos e médicos. Na Escola Politécnica da USP, o estudo foi coordenado pelo professor Raul Gonzalez Lima.

Para o professor Marcelo Britto Passos Amato, que coordenou as pesquisas para o desenvolvimento do aparelho e é responsável pelo laboratório de pneumologia da FMUSP, o TIE é uma tecnologia inovadora que utiliza correntes elétricas de baixa intensidade e alta freqüência através do corpo humano, destinada a monitorar os pulmões e reduzir os danos causados pela ventilação artificial. "O equipamento já vinha sendo usado desde 2006, em caráter experimental, por pacientes da UTI respiratória do Hospital das Clínicas-FMUSP e do Instituto do Coração (InCor). A partir de agora, ele será co-mercializado em pequena escala para centros de pesquisa e de excelência", informa.

O tomógrafo ajuda o médico a monitorar, em tempo real, a condição dos pulmões enquanto o paciente é submetido à respiração artificial, possibilitando ao profissional controlar adequadamente o volume, a pressão e o fluxo do ar injetado. Dessa forma, é possível diminuir os riscos de lesão pulmonar provocada por uma má distribuição do ar. O acompanhamento é feito por meio de uma cinta com 32 eletrodos, colocada no tórax do paciente e ligada a um monitor, que mostra as reações do órgão através de imagens captadas pela emissão de pulsos elétricos. O TIE também é utilizado para detectar pneu-motórax e analisar perfusão pulmonar.

Segundo Amato, o principal objetivo dessa nova tecnologia é tentar reduzir a mortalidade de pacientes em UTI provocada por complicações induzidas pela própria ventilação artificial. "Cerca de 40% dos pacientes da UTI são submetidos à respiração artificial, e 40% deles morrem devido a complicações ocasionadas pela ventilação mecânica. Nossa meta é reduzir esse índice. Já tivemos essa comprovação em estudo experimental com porcos. Agora precisamos testá-la em humanos", analisa o professor.

De acordo com o médico, o equipamento pode ser instalado ao lado do leito , tendo a função de monitorar as condições do pacien-te 24 horas por dia, viabilizando um novo conceito de apoio ao tratamento de doenças graves, sobretudo as de pulmão. "O custo de fabricação do equipamento está entre 6 e 8 mil dólares. A partir de 2009, a empresa Timpel será responsável pela produção do TIE, numa parceira com a Dixtal. Parte dos recursos obtidos com a venda dos equipamentos será aplicada em pesquisas no Laboratório de Pneumologia da FMUSP e na Escola Politécnica", conclui o coordenador.

Dixtal: (011) 55484155; adv@dixtal.com.br; www.dixtal.com.br