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Nova tecnologia da Unicamp aprimora exames de laboratório

Publicado em 03 dezembro 2008

Por Vanessa Sensato

A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Immunoassay, empresa de material hospitalar e laboratorial, firmaram contrato para a exploração comercial de tecnologia de exame parasitológico de fezes, desenvolvida na universidade. A invenção pode aprimorar o combate às parasitoses intestinais, ainda altamente prevalentes, em particular nas regiões tropicais.

A empresa deu o nome de TF-Test (Three Fecal Test) para o produto, que já tem pedido de patente nacional e internacional. O TF-Test está sendo produzido e distribuído para vários hospitais e laboratórios de análises clínicas, entre os quais o Hospital Albert Einstein, o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Jancarlo Ferreira Gomes, pesquisador do Instituto de Computação e do Instituto de Biologia da Unicamp, juntamente com Luiz Cândido de Souza Dias, professor aposentado da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, e Sumie Hoshino Shimizu, professora aposentada da USP, formam o grupo que desenvolveu o TF-Test, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por meio do programa Pesquisa Inovativa na Pequena e Micro Empresa (Pipe).

Técnicas obsoletas – O produto final inclui um kit para o paciente, constituído por três tubos ou um tubo coletor-usuário, e um kit para o laboratório, com um tubo de centrifugação e um conjunto de filtros contendo duas telas metálicas. Segundo Gomes, a pesquisa levou cerca de três anos para ser concluída e tem resultados inovadores, pois o TF-Test é abrangente para todas as espécies parasitárias (helmintos e protozoários), podendo substituir com vantagens as técnicas convencionais e kits comerciais.

“O que nos levou ao desenvolvimento da tecnologia foi a baixa e média sensibilidade diagnóstica apresentada pelas técnicas convencionais para o exame parasitológico de fezes”, explica Gomes. Segundo o pesquisador, muitas das técnicas empregadas em rotinas laboratoriais para esse exame são obsoletas (têm mais de dez anos) e não acompanharam a adaptação do parasito ao hospedeiro, o que repercute em baixa e média sensibilidade diagnóstica. O tempo de processamento – desde o preparo do material fecal coletado até a leitura das lâminas – também cai de aproximadamente duas horas para poucos minutos.

Diagnóstico com qualidade – Cláudio Henrique Pires, diretor da Immunoassay, afirma que a empresa vê grandes oportunidades de mercado, em razão da qualidade e da credibilidade do diagnóstico apresentado pela tecnologia. Pires esclarece que, em técnicas convencionais, cada amostra fecal deve passar por três lâminas para o diagnóstico de parasitoses através do microscópio.

Segundo dados da empresa, técnicas que empregam apenas uma amostra para a análise apresentam 48,8% de chances de obter diagnóstico correto. Em decorrência disso, muitos laboratórios pedem três amostras, que utilizam nove lâminas, para ampliar a porcentagem de acerto para 96,8%. “Por meio do TF-Test, essa sensibilidade é alcançada com o uso de apenas uma lâmina”, assegura.

O diretor destaca também que as técnicas convencionais apresentam outros inconvenientes. Entre eles está a coleta e armazenamento do material de origem fecal a ser analisado – as amostras coletadas com kit tradicional devem ser entregues em poucas horas para o laboratório, para não comprometer a análise. Se forem necessárias três amostras, o paciente precisa se deslocar três vezes ao laboratório.

Com o teste desenvolvido na Unicamp, isso não ocorrerá, pois os tubos de coleta contêm conservantes que preservam a amostra fecal em condições de análise até 30 dias, sem necessidade de refrigeração. “Caso o exame exija três amostras, o paciente realiza a coleta em dias alternados, em casa. A partir da última coleta, tem até dez dias para entregar no laboratório”, afirma o diretor.

Convênio

A Agência de Inovação Inova Unicamp articulou o convênio entre a universidade e a Immunoassay. Giancarlo Ciola, agente de parcerias da Inova Unicamp, explica que a celebração dessa parceria demonstra como o desenvolvimento de tecnologias passíveis de comercialização na instituição de ensino pode reverter em benefícios diretos para a academia e para a sociedade.

Ciola informa que, nos termos do contrato, a empresa se compromete a destinar royalties à universidade, que serão distribuídos em três partes iguais: “Um terço é destinado aos pesquisadores inventores da tecnologia, um terço vai para a unidade onde a tecnologia foi desenvolvida e um terço é direcionado à Reitoria da Unicamp, que pode distribuí-lo para várias áreas da universidade”, explica.