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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

Nova técnica simplifica monitoramento de fármacos no organismo

Publicado em 17 junho 2021

Por Henrique Fontes | QSC-USP

Além de ser mais rápida e barata, a técnica exige uma quantidade bem menor de amostras de urina, sangue ou saliva de alguém que precisa passar por exames médicos

Um novo método desenvolvido por cientistas do Instituto de Química de São Carlos da Universidade de São Paulo (IQSC-USP) promete simplificar o processo para detectar a presença e determinar a concentração de medicamentos no organismo de uma pessoa.

Além de ser mais rápida e barata, a técnica exige uma quantidade bem menor de amostras de urina, sangue ou saliva de alguém que precisa passar por exames médicos. O procedimento pode ser um importante aliado dos profissionais da saúde no tratamento de pacientes acometidos por diversos tipos de doenças e até mesmo em perícias no caso de intoxicações por uso abusivo de fármacos ou mortes por overdose.

Os resultados obtidos no projeto geraram um artigo publicado na revista Molecules.

A metodologia foi aplicada em amostras de urina humana para identificar cinco tipos de antidepressivos e antiepiléticos muito usados no Brasil: carbamazepina, citalopram, desipramina, sertralina e clomipramina. Segundo os cientistas, em entrevista à Assessoria de Comunicação do IQSC-USP, monitorar a concentração de medicamentos presentes no organismo é importante, por exemplo, para avaliar a eficácia de um tratamento.

Se o paciente excreta uma porcentagem muito alta de certo fármaco pela urina, por exemplo, isso pode explicar por que o composto não está surtindo efeito esperado, permitindo que o médico mude a estratégia terapêutica. Outro motivo que mostra a relevância de se realizar esse tipo de avaliação na área médica é que, nas últimas décadas, o uso excessivo de alguns fármacos para fins recreativos tem preocupado organizações de saúde em todo o mundo. Esse hábito pode causar graves problemas de intoxicação, o que demanda análises precisas dos medicamentos ingeridos pelo usuário no caso de algum incidente.

O método consiste, primeiramente, em passar a amostra analisada por uma espécie de filtro para eliminar algumas impurezas que podem interferir no resultado. Depois disso, uma porção de urina é colocada dentro de um cromatógrafo líquido, onde um robô suga parte da amostra para que ela seja misturada com os solventes, compostos que ajudam a transportá-la até tubos bem finos, responsáveis por reter e separar os medicamentos.

Após essa etapa, os fármacos são encaminhados para outro aparelho, chamado espectrômetro de massas, que realiza a identificação e quantificação dos remédios. Todo esse processo é desenvolvido, otimizado e repassado previamente pelos cientistas a um computador, que executa as tarefas de forma automática.

“Diferentemente dos métodos tradicionais, que envolvem uma série de procedimentos manuais trabalhosos e demorados para preparar as amostras, nós conseguimos automatizar o processo, eliminando diversas etapas. Isso fez com que o tempo de análise caísse pela metade, passando de aproximadamente 16 minutos no método convencional para cerca de oito minutos com o nosso método”, explica Edvaldo Vasconcelos Soares Maciel, autor do trabalho e doutorando do IQSC-USP.

A nova metodologia pode ser adaptada para monitorar e detectar qualquer tipo de medicamento ou produto ingerível em outros tipos de fluidos biológicos, como a saliva e o sangue, e até mesmo ser utilizada em outras áreas, como meio ambiente e no ramo alimentício.

O método desenvolvido no IQSC-USP já foi validado e está pronto para ser incorporado à indústria ou transferido para hospitais que desejarem utilizá-lo. O projeto teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fapesp, no âmbito dos projetos “Cromatografia líquida em uma gota e seu acoplamento com espectrometria de massas: estratégias instrumentais, desenvolvimento de materiais, automatização e aplicações analíticas” e “Desenvolvimento de novos materiais e dispositivos para técnicas miniaturizadas de preparo de amostras na área de segurança alimentar”.

O artigo Multidimensional Liquid Chromatography Employing a Graphene Oxide Capillary Column as the First Dimension: Determination of Antidepressant and Antiepileptic Drugs in Urine pode ser lido em: www.mdpi.com/1420-3049/25/5/1092/htm.

* Com informações da Assessoria de Comunicação do IQSC-USP.