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Nova Técnica Não Invasiva Avalia Composição Corporal de Peixes Vivos com Maior Precisão e Menor Custo (11 notícias)

Publicado em 28 de fevereiro de 2025

Pesquisadores brasileiros desenvolveram uma inovadora abordagem para medir a composição corporal de peixes vivos, como o pacu (Piaractus mesopotamicus) e a tilápia-do-nilo (Oreochromis niloticus), utilizando a técnica de absorciometria de raios X de dupla energia (DXA). Essa tecnologia moderna substitui o método tradicional de abate comparativo, trazendo benefícios significativos para a pesquisa aquícola e promovendo a sustentabilidade dos recursos hídricos.

Inovação em Pesquisa Aquícola

O estudo, realizado pelas equipes do Centro de Aquicultura da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Jaboticabal, e da Universidade Brasil de Fernandópolis, foi publicado na revista Aquaculture . Os pesquisadores destacam que a DXA é uma solução mais precisa e rápida, reduzindo significativamente os custos operacionais associados à análise da composição corporal de peixes.

Como Funciona a Técnica DXA

A absorciometria DXA, amplamente utilizada em humanos para avaliar a densidade óssea, foi adaptada para análise em peixes. A técnica apresenta alta precisão na avaliação de proteínas, gordura, água, matéria mineral e peso total em várias fases do crescimento dos peixes. O procedimento é simples: o peixe é anestesiado, posicionado na máquina para um escaneamento de 6 a 10 minutos e, em seguida, devolvido ao viveiro para continuidade dos estudos.

Vantagens da Técnica DXA na Aquicultura

Uma das principais vantagens da técnica DXA é sua abordagem não invasiva. Diferentemente dos métodos tradicionais que exigem o abate dos animais para aferir a composição corporal, a DXA permite análises repetidas dos mesmos peixes ao longo do tempo. Isso possibilita um acompanhamento detalhado do crescimento e desenvolvimento, sem causar danos aos animais, conforme analisa João Batista Fernandes, pesquisador da Unesp e coautor do artigo.

Desafios e Compartilhamento de Recursos

Apesar de sua precisão e velocidade, o custo elevado do equipamento, que varia entre US$ 50 mil e US$ 100 mil, pode ser um entrave para a adoção generalizada da DXA. Na Unesp Jaboticabal, o aparelho é compartilhado entre diferentes projetos de pesquisa universitários e colaborações com outras instituições, ampliando seu impacto e viabilizando estudos em várias áreas relacionadas à aquicultura.

Impactos para a Produção Aquícola e Nutrição Animal

A técnica DXA é especialmente relevante para estudos sobre nutrição, reprodução e melhoramento genético. "Podemos avaliar a composição química corporal – como proteínas, gordura, minerais e água – sem sacrificar os animais, o que é essencial para pesquisas nutricionais e de seleção genética", destaca Fernandes. Essa abordagem já é utilizada com sucesso em pesquisas com suínos e aves.

Expansão da Aplicação da DXA

Inicialmente aplicada em pacu e tilápia-do-nilo, a estratégia de DXA será expandida para outras espécies comerciais, incluindo tambaqui (Colossoma macropomum), pirarucu (Arapaima gigas) e matrinxã (Brycon cephalus). “A DXA é uma ferramenta crucial para investigar fatores que influenciam a composição corporal, apoiando a definição de estratégias de manejo nutricionais em peixes de água doce ou salgada, além de espécies ameaçadas de extinção”, afirmam os pesquisadores.

Apoio a Pesquisas Aquícolas

O estudo contou com o apoio da FAPESP, por meio do projeto “Modelagem da produção e das exigências nutricionais de aves e peixes” e da bolsa de pós-doutorado de Cleber Fernando Menegasso Mansano, primeiro autor do estudo. O artigo completo, intitulado Evaluation of dual-energy X-ray absorptiometry (DXA) technique for the determination of body composition of Pacu and Nile tilapia in vivo , está disponível em: ScienceDirect

Informações da Agência FAPESP