Notícia

Gazeta Mercantil

Nova técnica ajuda a prever tumores

Publicado em 15 dezembro 1999

Por Estela Viana* - de São Paulo
Os esforços contra o câncer estão se multiplicando no País. Ontem, foi a vez de o Hospital do Câncer anunciar uma metodologia capaz de dar informações dos genes tumorais e realizar o diagnóstico precoce. Outra esperança para a erradicação da doença no organismo é a descoberta da estudiosa Vera Luiza Capelozzi, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Com financiamento de RS 162 mil da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), seu estudo gerou uma técnica de análise para estimar, com até 80% de exatidão, como evoluem os tumores cancerígenos no pulmão. A pesquisa definiu marcadores biológicos (moléculas contidas nas células tumorais que podem ser identificadas por exames laboratoriais) que permitem fazer prognóstico sobre a possibilidade de o câncer voltar ou não a se manifestar após uma cirurgia. Com isso, o médico obtém uma orientação para indicar ao paciente terapias auxiliares, como radio e quimioterapia. Segundo Vera, o procedimento oferece dados novos para o especialista traçar um quadro evolutivo realista do câncer de pulmão. Vera explicou que hoje a doença é, entre os demais tipos de câncer, a mais significativa em relação ao impacto sobre a qualidade de vida do paciente. O relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) do ano passado revelou que 20 mil novos casos de câncer de pulmão foram detectados no Brasil e 12,7 mil doentes morreram. É o câncer mais comum entre os homens e o quinto entre as mulheres. De acordo com dados de 1998 do Hospital do Câncer, a maior parte dos seus pacientes (87%) chegou à instituição com a doença avançada, confirmando a ausência de sistemas de detecção precoce e tratamento inicial. Com o argumento de que o estudo da patologia ainda é deficiente no Brasil. Vera acredita que sua tarefa é pioneira no campo da ciência nacional. Ela explicou que a previsão da possibilidade de reincidência do câncer no pulmão é importante ferramenta para o médico. Seu objetivo é diminuir a subjetividade na avaliação dos tumores e chegar a uma espécie de modelo matemático para prever a sobrevida, já que em cerca de 30% dos pacientes operados o tumor acaba voltando até cinco anos após a cirurgia. O projeto da pesquisadora levou à criação do Laboratório de Patologia Molecular da Faculdade de Medicina da USP, com equipamento próprio e material cedido pela Fapesp. * do Panorama Setorial