Notícia

Diário do Povo

Nova Face Rural

Publicado em 18 junho 2000

Por Luciana Rezende
A cada ano que passa, um número maior de trabalhadores rurais e fazendeiros trocam as atividades agrícolas pela continuidade da vida no campo, exercendo, porém atividades diferenciadas, como o turismo rural, a exploração de lagos para pesque-pague ou o simples aluguel da propriedade para festas e lazer. A conclusão vem de pesquisa sobre o panorama do meio rural brasileiro, coordenada pelo professor José Graziano dativo, do Núcleo de Estudos Agrícolas do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O trabalho, que começou a ser realizado em 1996, foi batizado como Projeto urbano e está entrando em sua terceira fase. As conclusões até o momento se transformaram em quatro volumes da série "O Novo Rural Brasileiro", cujo lançamento foi realizado na última quinta-feira, no auditório do Instituto de Economia da universidade. De acordo com o professor Silva, o meio rural vem sofrendo grandes mudanças nos últimos quatro anos. Se por um lado houve uma queda do emprego agrícola e também da renda deste trabalhador, de outro houve um aumento da população rural. Isto confirma a criação de novas atividades no setor agrícola, como o turismo rural, os pesque pague, as mulheres que fazem doces caseiros para vender por conta própria, além dos agricultores que viraram caseiros de propriedades de fim de semana e dos fazendeiros que dividiram suas terras em condomínios de luxo ou em chácaras de recreio ou para aluguel. Segundo o coordenador da pesquisa, o interior do Estado de São Paulo, incluindo Campinas e outras cidades próximas, como Indaiatuba, Valinhos, Vinhedo, Pedreira, além de toda a região do Sul de Minas e o Vale do Paraíba são os trechos que mais sofreram estas modificações dentro do País. Ele cita inclusive as imediações da Unicamp como uma região que sofreu estas modificações, onde a área rural foi transformada em área de produção de flores, plantas ornamentais, pesque-pagues e até condomínios de luxo, além de abrigar um pólo de alta tecnologia, com várias indústrias do segmento instaladas. Um outro símbolo desta modificação, segundo o professor, é a Fazenda Monte D'Este. Tradicional propriedade de Café, no passado ela apenas sediava imigrantes japoneses que vinham aprender sobre o cultivo do café. Hoje, apesar de ainda produzir o café, a administração da Fazenda firmou parceria com o Hotel Fazenda Solar das Andorinhas para começar a explorar o turismo rural na propriedade. O próprio Solar das Andorinhas fica em área rural e, entre as atividades oferecidas aos hóspedes, há uma que os leva para um passeio nas áreas históricas da fazenda. Para Silva, estas mudanças da vida no campo têm um lado positivo e outro negativo. É positivo enquanto diversifica as atividades. Afinal, quem depende exclusivamente da atividade agrícola acaba sofrendo todas as oscilações do setor, seja pelos problemas de safra e entressafra ou pela queda natural da própria renda de quem vive da agricultura. Por outro lado o pesquisador aponta que estas atividades alternativas são em geral precárias, dando pouca segurança ao trabalhador, além de, inúmeras vezes, provocarem problemas ao meio ambiente.