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DCI

Nova etapa no combate à corrosão

Publicado em 30 novembro 2002

Por Fabiana Pio
Graças à parceria da Acesita com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), produtos de ponta serão lançados no mercado nos próximos anos. É o caso da nova liga de aço inoxidável utilizada nos escapamentos do recém-lançado carro Pólo, da Volkswagen. Ela está sendo certificada pelo instituto e apresenta maior durabilidade que os aços de carbono e menor corrosão. Além da Acesita, empresas como a Cosipa, Cofap, Usiminas, Ford, Embraco e Metal Leve realizam estudos em parceria com o Ipen. A Usiminas, por exemplo, está fornecendo amostras de aço de carbono ao Ipen e a Ford está pintando essas peças com uma tinta especial. O objetivo é testá-las num novo processo de revestimento, denominado galvannealed, que consiste em melhorar as condições de soldagem. Segundo Isolda Costa, coordenadora do Centro de Ciência e Tecnologia de Materiais (CCTM), esses testes estão sendo realizados na região de Camaçari, na Bahia, cuja atmosfera é altamente corrosiva. "A tendência é que o galvannealed seja amplamente utilizado pelas montadoras", diz. Segundo Hélio Alves, pesquisador do Centro de Pesquisa da Acesita, só neste ano a empresa investiu R$ 200 mil no laboratório, que realiza pesquisas na área de corrosão. Desse valor, R$ 100 mil foram aplicados no desenvolvimento da máquina Dip-dry, que simula a corrosão cíclica em escapamentos de veículos. Ela foi criada em parceria com a empresa Analógica, de Belo Horizonte. De acordo com Alves, a liga utilizada na fabricação do escapamento do Golf é a 434. Outras ligas, como a 439 aplicada no novo Corolla, também estão sendo avaliadas. Sediada em Belo Horizonte, a Acesita é a única produtora de aços especiais inoxidáveis e siliciosos na América do Sul. O CCTM recebeu nos últimos dez anos US$ 200 mil da fapesp e também do CNPq. DEGRADAÇÃO DE ESTRUTURAS CAUSA DANOS BILIONÁRIOS Estima-se que nos países industrializados cerca de 3,5% a 4% do Produto Interno Bruto (PIB) são perdidos com a corrosão de materiais. Essas perdas, segundo Isolda, podem ser atenuadas em 30% caso sejam realizadas medidas preventivas nessa área. Se essa estimativa for aplicada ao Brasil, as perdas podem chegar a cerca de R$ 44 bilhões. Esses dados são provenientes de uma pesquisa realizada pelo governo britânico. A corrosão é altamente prejudicial. Ela atinge metais ou ligas, causando perda de suas propriedades com o contato com o meio ambiente. Ela pode ser atenuada com o desenvolvimento de produtos de revestimento e de novos processos industriais para a aplicação de tintas especiais.