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Nova espécie de jararaca descoberta em ilha do Estado deve ser enquadrada como criticamente em perigo de extinção

Publicado em 24 abril 2016

A nova espécie de jararaca encontrada na Ilha dos Franceses, em Itapemirim, litoral sul do Estado, deve ser enquadrada na categoria de ameaça mais elevada da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), a de criticamente em perigo de extinção. É o que defendem pesquisadores do País, considerando sua área reduzida de ocorrência e as características do local. Com 15 hectares, a ilha fica próxima à praia de Itaipava e registra acesso constante de turistas, o que torna vulnerável a proteção da espécie.

“O fato de ter toda sua população restrita a uma pequena ilha facilmente acessível a partir da costa a torna única para estudos ecológicos e evolutivos, mas também altamente ameaçada, especialmente se considerarmos que o local já sofre deterioração pela ação humana. Essas alterações no habitat natural ameaçam sua preservação e precisam ser observadas”, alertou o pesquisador Ricardo Sawaya, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em entrevista à Agência Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).

Segundo Sawaya, a expectativa é de que a sugestão seja considerada na próxima rodada de avaliações da IUCN, para inclusão da jararaca na Lista Vermelha da organização, que avalia o estado de conservação de plantas, animais, fungos e protistas, chamando a atenção da comunidade internacional para que sejam tomadas medidas de conservação.

A nova espécie foi nomeada Bothrops sazimai, em homenagem ao naturalista Ivan Sazima, professor colaborador do Museu de Zoologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e teve sua descoberta revelada em artigo publicado no periódico científico internacional Zootaxa, por pesquisadores da Unifesp, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A jararaca da Ilha dos Franceses, como apontam os pesquisadores, tem hábitos noturnos, é semiarborícola – vive sobre as árvores e no solo – e se alimenta de pequenos lagartos e centopeias.

Até sua descoberta, apenas três espécies de jararacas nativas de ilhas brasileiras haviam sido descritas, todas na costa paulista: a Bothrops insularis, conhecida como jararaca-ilhoa, da Ilha da Queimada Grande; a Bothrops alcatraz, ou jararaca-de-alcatrazes, nativa da Ilha de Alcatrazes; e a Bothrops otavioi, da Ilha Vitória.

Ao todo, foram examinados 58 espécimes da nova espécie, sendo nove fotografados e liberados e apenas cinco coletados e levados da ilha para serem colocados em museus de história natural. Com câmeras de alta resolução, as fotografias foram feitas em uma distância padrão e analisadas em computadores por meio desoftwares que comparam regiões da cabeça do animal marcadas com pontos pelos pesquisadores.

Os espécimes foram comparados com 154 exemplares de Bothrops jararaca de diferentes localidades do continente, distribuídas entre os estados do Espírito Santo (82), São Paulo (30), Paraná (23), Santa Catarina (9) e Rio Grande do Sul (10). Também foram feitas comparações com oito espécimes de B. alcatraz, 26 de B. insularis e 31 de B. otavioi.

Por meio das comparações morfológicas, os pesquisadores identificaram o conjunto de nuances que distingue a população de jararacas da Ilha dos Franceses das serpentes que ocorrem no continente e nas demais ilhas onde novas espécies foram descobertas.

Além de Sawaya, assinam o artigo João Luiz Gasparini, do Departamento de Ecologia e Oceanografia da Ufes; Antonio P. Almeida, da Reserva Biológica de Comboios do ICMBio; Hussam Zaher, Fausto Erritto Barbo e Felipe G. Grazziotin, do Museu de Zoologia da USP; e Rodrigo B. Gusmão e José Mário G. Ferrarini, com mestrado em Ecologia e Evolução pela Unifesp.

(Com informações da Agência Fapesp)