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Borboletário

Nova espécie de borboleta é descoberta na Amazónia

Publicado em 17 setembro 2019

Admirem a espécie Cristalinaia vitória.

 

Se na ficção, na aclamada série da HBO Years and Years, em um futuro marcado pelo caos ambiental as borboletas deixaram de existir, na realidade, elas continuam bem vivas e aparecendo – mais precisamente no sul da Floresta Amazônica. Uma nova espécie de borboleta acaba de ser catalogada na Reserva Cristalino Lodge. A descoberta foi feita pela pesquisadora e aluna de doutorado da Universidade de Campinas – Unicamp, Luísa L. Mota, em parceria com a Fundação Cristalino Lodge.

Fonte: Labbor - Laboratório de Ecologia e Sistemática de Borboletas

Fonte: Labbor - Laboratório de Ecologia e Sistemática de Borboletas

O processo de reconhecimento do novo espécime, a Cristalinaia Vitória, demorou cerca de um ano para ser concluído por Luísa. Inicialmente, a pesquisadora estudava os grupos de borboletas que compartilham um padrão de cores quando a descobriu, por acaso, ainda em forma de lagarta.

Embora pertencente à subtribo Euptychiina, que geralmente apresenta características mais discretas, sobretudo em relação a cor e tamanho, o novo espécime possuí belas marcas alaranjadas na ponta das asas, o que a torna única. Análises moleculares e morfológicas, aliás, apontam que a Cristalinaia Vitória não pertence a nenhum gênero conhecido. Logo, a descoberta não fica restrita apenas à uma nova espécie, mas também a um novo gênero.

Vale ressaltar ainda que apesar do intenso trabalho de pesquisa realizado por Luísa e pelo seu orientador, Dr. André Freitas, apenas dois indivíduos adicionais foram encontrados, o que sugere que a Cristalinaia Vitória é uma borboleta um tanto quanto rara.

O nome escolhido para o gênero, Cristalinaia, faz referência à região Cristalino, onde está situado o hotel Cristalino Lodge. Já o nome da espécie, Cristalinaia Vitória, foi dado em homenagem a Vitória da Riva Carvalho, fundadora do hotel e visionária por trás das reservas privadas do Cristalino.

Os resultados foram publicados em 2019 na Revista Brasileira de Entomologia. Além da descrição da espécie, os pesquisadores também apresentaram sua lagarta e pupa. A descoberta dessa nova borboleta destaca a importância do estudo da Floresta Amazônica do Sul, uma área altamente diversificada e de grande importância para a conservação.

Até o momento, só temos registro dessa espécie para Alta Floresta, um município ao norte do estado de Mato Grosso. Mais especificamente, essa borboleta ocorre nas florestas bem preservadas da Reserva Particular do Patrimônio Natural Cristalino (Cristalino Lodge), fundada em 1997 por Vitoria da Riva Carvalho, a quem dedicamos o nome da espécie.

Esse estudo foi financiado pelas agências brasileiras Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, CNPq e CAPES através de bolsas de pesquisas concedidas aos autores do artigo, além de ser parte do projeto Programa Biota. Também contamos com o auxílio das agências americanas National Science Foundation (NSF), USAID - US Agency for International Development e National Academy of Sciences

 

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