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Jornal do Brasil online

Nova era da botânica: descrição de espécies é feita pela 1ª vez na web

Publicado em 14 maio 2010

Quatro novas espécies de plantas tropicais do gênero Solanum acabam de ser descritas. Mas a novidade não está apenas na descrição, uma vez que artigos sobre novas plantas são publicados às centenas a cada ano. A novidade é que, pela primeira vez na história da ciência, um estudo sobre novas espécies é publicado apenas na internet.

O trabalho foi publicado pela revista científica online PLoS One, por Sandra Knapp, do Museu de História Natural de Londres.

A denominação de novas plantas é regulamentada pelo Código Internacional de Nomenclatura Botânica (ICBN, na sigla em inglês), um código centenário que surgiu em 1753, com a publicação da obra Species Plantarum, do botânico sueco Carolus Linnaeus.

A publicação na internet da descoberta de novas espécies é um divisor de águas na história da nomenclatura científica. Afinal, o tradicional código de botânica nunca aceitou qualquer tipo de publicação de novos nomes que não fosse em revistas científicas impressas.

Mas a botânica Sandra Knapp trouxe uma alternativa, bem no estilo destes tempos de alta conectividade digital. A solução foi dar ao autor/cientista a prerrogativa para imprimir cópias de suas descobertas e distribuí-las para museus e instituições no dia da publicação online. Processo que, com a popularização dos computadores, é hoje bastante simples.

Segundo a Public Library of Science, responsável pela PLoS One, o artigo de Sandra é o primeiro a efetivamente publicar novos nomes de plantas inicialmente em uma revista eletrônica ao mesmo tempo em que seguiu as regras e recomendações da ICBN.

Além disso, como a PLoS One é de acesso livre e gratuito, o artigo está disponível a qualquer interessado da comunidade científica para ler ou copiar.

Autora de diversos livros e uma das mais respeitadas taxonomistas no mundo, Sandra Knapp conhece bem os códigos de nomenclatura.

- Esses códigos são possivelmente o melhor e mais duradouro exemplo de adesão voluntária a padrões científicos - comenta a cientista.

Os códigos se baseiam num histórico de trabalhos já publicados e contam com a adesão de cientistas aos padrões estabelecidos por gerações de taxonomistas. Eles existem, aponta Sandra, para ajudar a manter a uniformidade da nomenclatura das espécies, ao fornecer regras claras para publicação.

- Sem os códigos que governam a nomenclatura, seria o caos - explica. - Muitos nomes diferentes poderiam existir para as mesmas espécies e espécies distintas poderiam ser referidas pelo mesmo nome. Isso impactaria todos os ramos das ciências da vida, uma vez que o nome de uma espécie, seja um grão ou um patógeno, representa uma parte fundamental da comunicação de conhecimento sobre o mundo natural.

Novas recomendações têem sido introduzidas nos últimos anos de modo a servir de referência para a publicação eletrônica, cada vez mais imprescindível. A própria Sandra presidirá a Seção de Nomenclatura no próximo Congresso Internacional de Botânica, em 2011, na Austrália.

Com Agência Fapesp