Notícia

Jornal da USP

Nova conquista da ciência nacional

Publicado em 02 agosto 2010

Pesquisadores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP conseguiram um feito inédito na ciência brasileira: a produção de células-tronco de pluripotência induzida (iPS) a partir da modificação genética de células da pele. A inovação do projeto está no uso de genes distintos daqueles tradicionalmente utilizados pelos grupos de pesquisa que produzem trabalhos semelhantes.

O estudo faz parte do pós-doutorado da pesquisadora Virgínia Picanço e Castro, pela FMRP, e foi publicado no último mês de junho na edição online da revista Stem Cells and Development. "Os resultados desta pesquisa colocam o Brasil numa posição de destaque no cenário científico internacional, mostrando que a ciência que se faz aqui está em pé de igualdade com aquela realizada no exterior", aponta o orientador do trabalho, o professor Dimas Tadeu Covas, da FMRP e do Hemocentro de Ribeirão Preto.

O objetivo do grupo era transformar células de pessoas adultas em células-tronco de pluripotência induzida (iPS). Essa reprogramação ocorre por meio da introdução de genes nas células adultas. Vários estudos internacionais já foram realizados usando essa técnica que, tradicionalmente, utiliza quatro genes para a modificação genética: SOX 2, OCT 4, KFL 4 e C-MYC. Uma das características dessa técnica é que, quando as células iPS são introduzidas em animais, elas levam à formação de tumores.

No estudo realizado em Ribeirão Preto, os pesquisadores utilizaram três genes: SOX 2, C-MYC e um outro inédito, o TCL 1-A para reprogramar células adultas de pele humana. Os cientistas conseguiram transformá-las em células-tronco de pluripotência induzida, mas elas apresentaram a característica de não produzirem tumores. É a primeira vez que um grupo de pesquisa produz esses resultados usando genes distintos daqueles tradicionalmente usados. Agora, os estudos continuam com a finalidade de entender outras características que essas células apresentam e suas possíveis propriedades terapêuticas.

Apoios - "Não temos um número tão grande de pesquisadores quanto o de outros centros de pesquisa no exterior, mas também produzimos trabalhos com resultados muito interessantes", comenta o professor Dimas Tadeu Covas, destacando o papel fundamental que o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Células-Tronco e Terapia Celular (INCT), sediado em Ribeirão Preto, juntamente com o Centro de Terapia Celular (CTC) da USP na cidade, tiveram para a realização desta pesquisa.

Além do professor Dimas Tadeu Covas e de Virginia Picanço-Castro, participaram do trabalho os pesquisadores Elisa Maria Souza Russo-Carbolante, do INCT; Luiza Junqueira Reis (CTC); Ana Maria Fraga (Instituto de Biociências da USP); Danielle Aparecida Rosa de Magalhães (CTC); Maristela Delgado Orellana (CTC); Rodrigo Alexandre Panepucci, (CTC); e Lygia Veiga Pereira (Instituto de Biociências da USP). O artigo está disponível para consulta neste endereço.

A pesquisa tem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Financiadora de Estudo e Projetos (Finep).