Notícia

Eletricidade Moderna

NOVA CÉLULA A COMBUSTÍVEL, DE 50 KW

Publicado em 01 outubro 2003

A Electrocell deu mais um passo para a consolidação da tecnologia de células a combustível no Brasil. A empresa finalizou seu maior protótipo desde o início de suas pesquisas, há cerca de cinco anos, no Cictec - Centro Incubador de Empresas Tecnológicas, no campus da USP. Trata-se de uma célula a combustível de 50 kW, desenvolvida em parceria com a AES Eletropaulo, como alternativa ao uso dos geradores a diesel. Para viabilizar o projeto, a Eletropaulo investiu cerca de R$ 1,7 milhão e forneceu à Electrocell um conjunto de especificações para sua unidade geradora. Entre elas: demanda, capacidade de corrente compatível com a rede elétrica (com a qual deve trabalhar em paralelo) e back up em UPS. "Fizemos uma pesquisa de mercado e verificamos que a Electrocell era a empresa mais preparada para desenvolver uma célula a combustível sob encomenda", afirma Mara Ellern, especialista em análise de negócio da AES Eletropaulo. Resultado de uma combinação de átomos de hidrogênio e oxigênio, a célula a combustível transforma energia química em elétrica, produzindo apenas água como resíduo. "A conversão direta da energia química em elétrica na célula permite que se tenha pelo menos o dobro da eficiência, se a compararmos com outras fontes alternativas de geração", destaca Gilberto Janolio, diretor de engenharia de produto da Electrocell. A unidade, que opera em módulos de 10 kW, está sendo testada pelo Ipen/USP, e após os resultados terá seu destino definido. No entanto, Ellern adianta que qualquer instalação que priorize a geração ininterrupta, com baixo impacto ambiental e sem produção de ruído, poderá justificar o investimento. A célula pode ser instalada em ambientes fechados, como hospitais, escolas, residências com equipamentos de sobrevida, centrais de telecomunicações sensíveis a microinterrupções e em locais remotos não atendidos pela rede convencional de energia. A especialista aponta ainda a vida útil da célula como mais uma vantagem: "Enquanto um gerador dura entre 10 e 12 anos, desde que sejam feitas manutenções periódicas, a célula a combustível tem uma vida útil prevista de 20 anos, sem grandes interrupções." O projeto feito para a Eletropaulo integra ò programa de pesquisa que a companhia desenvolve com recursos do fundo setorial gerenciado pela Aneel - Agência Nacional de Energia - Elétrica. Teve ainda apoio financeiro da Fapesp - Fundação de Amparo a Pesquisas do Estado de São Paulo, do Ministério, de Ciência e Tecnologia (Finep e CNPq) e contou com a parceria do Ipen - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares. "O desenvolvimento dessa célula de grande porte foi um passo importante para a Electrocell", registra Janolio. A empresa, que já domina todo o ciclo, tecnológico de produção, conta com uma equipe de 40 pesquisadores na área e já pensa em montar uma fábrica futuramente, caso a demanda pelo produto continue aumentando. A Electrocell vende células a combustível em estágio pré-comercial, pois a tecnologia ainda não é produzida em escala industrial. São desenvolvidos protótipos de 25 e 75 W (para uso em universidades e laboratórios), e também equipamentos de 1,2 e 2,5 kW. Um dos entraves à venda de célula a combustível ainda é o preço. "O custo de instalação estimado no, futuro de US$ 1500/kW. Por isso, temos, de contar com mecanismos governamentais para assegurar a produção e o desenvolvimento tecnológico desses produtos", sublinha Janolio. Segundo o diretor da Electrocell, a célula a combustível é estratégica para o Brasil, uma vez que o País é rico em etanol, combustível renovável do qual se produz o hidrogênio. "Além de ser abundante, incolor, inodoro e não-tóxico, um quilo de hidrogênio libera a mesma quantidade de energia que 3,5 litros de petróleo, 4 litros de gasolina ou 3,7 m3 de gás natural", acrescenta Ellern.