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Diário Oficial do Estado de São Paulo

Notícias falsas na ciência são tema em palestra do ILP

Publicado em 26 março 2019

Por Ines Jordana

O Instituto do Legislativo Paulista (ILP), em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), realizou na segunda-feira (25/3) a primeira palestra do ciclo ILP-Fapesp no ano de 2019, que abordou e discutiu a divulgação de notícias falsas na ciência. O evento – voltado para a sociedade, legisladores, gestores públicos e interessados – teve o intuito de promover a divulgação científica de qualidade.

“Nossa preocupação é chamar atenção para aspectos importantes da produção científica no Brasil e no mundo, de modo que a sociedade possa se apropriar dos conhecimentos”, explicou Vinicius Schurgelies, diretor presidente do ILP.

Publicadas frequentemente por internautas, as notícias falsas, conhecidas como “fake news”, são propagadas principalmente em redes sociais. Segundo a Fapesp, essas informações erradas podem comprometer o desenvolvimento científico e prejudicar a execução de políticas públicas em áreas específicas e fundamentais para o funcionamento do estado.

Francisco Belda, jornalista e professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) – campus de Bauru –, refletiu sobre a divulgação científica e a desinformação no meio digital, demonstrando como as “fake news” levam à perda da credibilidade jornalística.

“É cada vez mais difícil distinguir a informação de qualidade do ruído. Quando se trata de ciência, essa distinção é ainda mais complicada. Os leitores acabam tomando como verdade informações de fontes pouco confiáveis ou opinando a partir de relatos mal apurados, de qualidade duvidosa”, afirmou Belda.

O Ministério da Saúde constatou que essas notícias influenciaram campanhas de vacinação contra doenças no ano passado. “As ‘fake news’ são um desserviço para as ações de vacinação. É importante deixarmos claro que vacina é um bem público”, disse a médica Helena Sato, diretora técnica da Divisão de Imunização do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde.

Trabalhando para diminuir o problema na área da saúde, o governo federal lançou uma ação com vídeos didáticos contra a disseminação dessas notícias. O ministério também adotou uma ação nesse sentido, disponibilizando em seu site um contato para responder dúvidas sobre a veracidade de tais informações.

Concluindo o evento, Nathalia Taschner – pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) – argumentou que a legislação deve ser baseada nas ciências públicas. Em sua apresentação, mostrou a contradição entre algumas leis e os conceitos estabelecidos por profissionais da ciência. “É importante consultar a comunidade científica antes de formular políticas públicas”, disse.