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Nossos Animais Silvestres: Tamanduá-i (Cyclopes didactylus)

Publicado em 15 janeiro 2018

Por Marcos Leão e Selene Vital

Tamanduá-i, Cyclopes didactylus (Linnaeus, 1758) um mamífero da Ordem Pilosa, Família Cyclopedidae. Também conhecido como Tamanduá-anão, Tamanduá-pigmeu e Tamanduá-seda. É o menor e mais raro tamanduá do mundo, quando adulto pode alcançar de 15 a 23 cm de comprimento do corpo; de 16 a 30 cm de comprimento de cauda; e pesam em torno de 400 gramas.

Possui pelagem muito densa e curta de coloração amarelo-dourado uniforme, podendo apresentar uma lista escura longitudinalmente no dorso; a pelagem do ventre é de um amarelo-claro ao cinza, geralmente com uma lista longitudinal escura. A população mais ao sul da distribuição geográfica, a pelagem torna-se que progressivamente cinzenta.

De hábito arborícola, tem a cauda longa e preênsil, desprovida de pelos na face ventral; os membros anteriores com duas garras no segundo e terceiro dedo, sendo uma longa e a outra menor; os membros posteriores com quatro dedos com garras. Possui focinho alongado e língua protrátil; não possui dentes.

Espécie rara, pouco estudada e praticamente desconhecida devido ao seu pequeno porte e hábitos crípticos. Possui atividade noturna e durante o dia descansa enrodilhado nos galhos, não raramente confundido com ninhos de pássaros, vive sobre árvores e raramente desce ao solo.

Ocorre em florestas de planícies úmidas tropicais semi-decíduas e perenes, matas de galerias e manguezais. Pode ser encontrado em florestas secundárias. Tem dieta específica, alimenta-se principalmente de formigas que vivem em árvores, embora pequenos besouros tenham sido registrados em menores proporções. Os pais podem regurgitar insetos semidigeridos para a alimentação do filhote crescido.

De hábito solitário, com exceção da época de acasalamento e de cuidado parental. A área de vida de um macho adulto se sobrepõe a área de vida de até três fêmeas. O cio dura de dezembro a janeiro; e o período de gestação dura de 120 a 150 dias, nascendo apenas um filhote por ano, geralmente em setembro ou dezembro. O filhote recebe o cuidado parental de ambos os pais, sendo carregado no dorso, inclusive pelo macho.

Com distribuição geográfica que vai do norte do México ao sul da Colômbia, oeste dos Andes no sul Equador e leste dos Andes na Venezuela; Trindade e Tobago, Guiana, Suriname, Guiana Francesa, do Brasil ao sul da Bolívia. No Brasil ocorrem nos biomas Amazônia e região de transição para o Cerrado, e Mata Atlântica; abrangendo a bacia Amazônica nos estados de Roraima, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Mato Grosso, Tocantins (Parque Nacional do Araguaia) e Maranhão, e no extremo leste da costa brasileira nos estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas.

Desde a descrição pioneira do Cyclopes didactylus pelo naturalista sueco Carl Nilsson Linnaeus em 1758, foram descobertas no século 19 e início do século 20, outras seis populações com distribuições espalhadas desde o sul do México ao nordeste do Brasil. Todos os espécimes coletados eram aparentemente idênticos e não havia diferenciações morfológicas suficientes para sustentar a descrição de espécies distintas. Daí por 259 anos acreditou-se tratar de espécie monotípica, todas foram consideradas como subespécies.

Evidência molecular sugere que a primeira divergência dentro do gênero Cyclopes se deu há 10,3 milhões de anos, no Mioceno superior, e as mais recentes há 2,3 milhões de anos, no período Pleistoceno. Sete espécies são atualmente reconhecidas para o gênero, são elas: Cyclopes dorsalis a espécie mesoamericana (México e Centro-América); Cyclopes ida do oeste da Amazônia, sul da Colombia e Equador; Cyclopes catellus a espécie boliviana; Cyclopes rufus espécie do oeste da Amazônia (Rondônia entre os rios Madeira e Aripuanã); Cyclopes thomasi do oeste da Amazônia (Amazônia peruana e Acre); Cyclopes xinguensis da bacia do rio Xingu; Cyclopes didactylus espécie do norte e nordeste do Brasil; Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

É reconhecido que a população de Cyclopes didactylus do nordeste brasileiro encontra-se isolada da população principal (Amazônia oriental) por aproximadamente 1.000 km. Essa população provavelmente, permaneceu separada das populações amazônicas desde o Pleistoceno, quando as florestas Atlântica e Amazônica se retraíram, sendo substituídas pela Caatinga. Como consequência, a população do litoral nordestino pode ser suficientemente diferenciada a nível genético para representar uma “Unidade Evolutiva significativa” (UEs).

Etimologia: O nome científico Cyclopes, cyclops latinizado [do Grego] kyklops = ser mitológico gigante com um só olho no meio da testa; e didactylus [do Grego] di = dois + dactylus = dedos. Significado: Tamanduá que se assemelha ao “ser mitológico de um só olho, de dois dedos”. O nome popular: Tamanduaí provém da língua Tupy-guarani: Tá = formiga, monduá = caçador, í = pequeno; que significa “pequeno caçador de formigas”.

As principais ameaças identificadas para a espécie são as alterações e fragmentações do habitat, devido aos desmatamentos desenfreados para agricultura (principalmente a monoculturas), a implantação de pecuária extensiva; a captura para servir como animal de estimação - xerimbabo (não sobrevive em cativeiro); o tráfico de animais silvestres e a biopirataria.

Encontra-se classificada como espécie Pouco Preocupante (LC) na Lista Vermelha Mundial da IUCN (International Union for Conservation of Nature); embora a população nordestina mereça ações voltadas à sua conservação. Não consta na Lista das Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (MMA).

BIBLIOGRAFIA

MIRANDA, F. R. ... [et al.]. 2014. Mamíferos, Cyclopes didactylus - Tamanduá i: Avaliação do Risco de Extinção de Cyclopes didactylus Linnaeus, 1758 no Brasil. Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade – ICMBio. MMA. Brasília.

MOON, P. 2018. Tamanduaí não tem uma única espécie, mas pelo menos sete. Agência FAPESP. http://agencia.fapesp.br/print/tamanduai

REIS, N. R. ... [et al.]. 2010. Mamíferos do Brasil – Guia de Identificação. Rio de Janeiro. Technical Books Editora. 1 ed.. 557p

Marcos Leão e Selene Vital são redatores da coluna Meio Ambiente/Ecos do Tocantins.

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