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Nobel de Química 2016 defende foco de pesquisa em ciência básica

Publicado em 20 julho 2017

Ao posar para a foto, o escocês naturalizado americano Sir James Fraser Stoddart, Prêmio Nobel de Química 2016, pergunta aos fotógrafos se precisa fazer cara de Sean Connery. Diferente do conterrâneo, Stoddart ainda está se acostumando com a vida de celebridade que de certa forma tem levado.

Em visita ao Brasil, para o 46º Congresso Mundial de Química da União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC 2017), o Prêmio Nobel deu entrevistas e mais de 100 autógrafos. No fim do dia estava cansado e também extremamente emocionado. “Nunca fui tão bem recebido como aqui no Brasil”, disse.

Stoddart dividiu o Prêmio Nobel de Química 2016 com Jean-Pierre Sauvage e Bernard L. Feringa pela concepção e produção de máquinas moleculares, ou nanomáquinas, um avanço que abriu o caminho para os primeiros materiais inteligentes do mundo.

De acordo com o comitê do Nobel, o trio desenvolveu “as menores máquinas do mundo”. A tecnologia já está sendo usada para criar microrrobôs e materiais que se autorreparam sem a necessidade de intervenção humana.

Em organismos vivos, as células executam funções com regulação de temperatura e reparação de dano assim como as máquinas moleculares. O que o trio conseguiu fazer foi replicar esse tipo de função em moléculas sintéticas, que convertem energia química em movimento mecânico, podendo assim executar várias funções.

As aplicações são inúmeras e podem levar a novas práticas na medicina e em tecnologia da informação. Ou como diz Stoddart: “O Nobel de Química 2016 foi para uma descoberta de ciência básica a partir de um desenvolvimento básico. Mas você sabe que toda máquina inventada até agora levou a uma mudança incrível em nossas vidas”.

Ele é um defensor ferrenho da pesquisa básica. “Os jovens precisam encontrar problemas difíceis e então solucioná-los, sem se preocupar com a aplicação.” Após ser laureado, Stoddart está criando uma startup de mineração de ouro: a partir das máquinas moleculares será possível separar o ouro sem o uso de contaminantes e de modo muito mais econômico.

Enquanto isso, Stoddart viaja o mundo para dar palestras e se integrar com pesquisadores mais jovens. No dia da premiação do Nobel, na Suécia, filhas, netos e genros foram à cerimônia e fizeram uma espécie de cobertura ao vivo pelo Twitter, com várias fotos da viagem em família.

Em um dos tweets, uma das filhas legendou a foto de Stoddart em traje de gala escocês e com o celular na mão. “Na véspera de sua palestra @NobelPrize, @sirfrasersays está viciado no ‘twitter’”, tuitou. E de fato ele está encantado com a ferramenta que descobriu há poucos meses. “É uma maneira muito boa de alcançar várias pessoas, principalmente as mais novas, e quem sabe uma forma de inspirá-las. Sei que mudanças são as únicas formas de sobreviver”, disse.

(Fonte: Agência Fapesp)