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Nobel de Economia fala sobre influência da Teoria dos Jogos

Publicado em 08 agosto 2014

SÃO PAULO - O que haveria em comum entre estudantes e escolas em busca de novos talentos, doadores de órgãos e receptores compatíveis, solteiros à procura de sua alma gêmea? O fato de serem relações que dependem de encontros certos para que todas as partes saiam satisfeitas. Foi exatamente por desenvolver estratégias que facilitam o acerto nessas situações e em outras combinações que o norte-americano Alvin Roth recebeu o Nobel de Economia em 2012.

Para ministrar um curso, realizado na Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), o economista falou à Agência Fapesp sobre como a Teoria dos Jogos pode ajudar a mudar destinos no mercado e na vida.

Roth deu diversas aplicações práticas ao algoritmo, combinando médicos residentes com hospitais espalhados pelos Estados Unidos, doadores de órgãos com receptores compatíveis e alunos com escolas.

Trata-se de um mecanismo para situações em que é necessário fazer escolhas e também ser escolhido - como no mercado de trabalho. "Você não pode só decidir onde quer trabalhar, você tem que ser admitido. Os empregadores também não podem simplesmente decidir sobre quem eles querem que trabalhem com eles - é necessário fazer ofertas que as pessoas aceitem", destacou.

A participação de Roth trata da organização dos mercados por meio de matching, um ramo da Teoria dos Jogos. "Nesse campo da matemática aplicada, entende-se como jogo um modelo matemático que representa situações da vida em que diferentes personagens, ou jogadores, tomam decisões e interagem de acordo com regras preestabelecidas, afetando uns aos outros. A Teoria dos Jogos estuda essas interações e o matching atua no desenvolvimento de estratégias para realizar as melhores combinações", explicou o professor da Stanford University.

Na opinião de Roth, o Brasil precisa se apropriar da área para fazer frente aos demais países emergentes. "Muito do que define uma nação como próspera é a existência de mercados que funcionam bem. Algo importante para os economistas brasileiros fazerem é olhar para os mercados locais, perceber quais não estão funcionando adequadamente e melhorá-los, encontrando novos modos de organizá-los, novas regras".

AGÊNCIAS

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