Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

No tempo certo

Publicado em 17 setembro 2007

Por Da Redação

Há mais de 4.500 anos, a cerveja não só já existia como havia até um hino dedicado exclusivamente à deusa dessa bebida, conhecida dos sumérios pelo nome de Ninkasi. Aliás, no idioma desse povo que viveu na atual região ocupada pelo Iraque, a palavra cerveja significava 'pão líquido', pela semelhança dos ingredientes.

O tempo passou, mas não a adoração a essa antiga bebida. Hoje, sabe-se que o seu consumo moderado pode ser benéfico à saúde.

Isso se deve a alguma das matérias-primas que entram no seu processo produtivo, como o malte e, principalmente, o lúpulo - uma planta trepadeira que dá o característico gostinho amargo da cerveja.

É graças a esses ingredientes que a bebida tem capacidade antioxidante, ou seja, ajudam o organismo a combater o envelhecimento precoce e a prevenir doenças cardiovasculares.

Porém, para que esse benefício seja plenamente aproveitado, a cerveja deve ser consumida jovem, com cerca de 15 dias após engarrafada. "Nesse tempo, seus efeitos funcionais são similares ao do vinho branco", afirma a engenheira de alimentos Priscila Becker Siqueira, que acaba de concluir o primeiro estudo brasileiro sobre as propriedades antioxidantes da bebida produzida no Brasil.

Segundo a pesquisadora, a análise bioquímica foi feita em três marcas nacionais de cervejas do tipo pilsen (clara), a mais consumida no País.

O estudo conduzido por Priscila consumiu quatro meses de testes. A cada oito ou dez dias, a pesquisadora colhia amostras e realizava cinco testes diferentes para observar as características durante o envelhecimento.

Ao mesmo tempo, eram feitos estudos sensoriais para quantificação do aroma e sabor. Para isso, ela treinou uma equipe de provadores pelo método do teste cego - no qual os avaliadores não têm acesso à marca do produto.

De acordo com Priscila, como a cerveja sofre mudanças químicas mesmo após embalada, a idéia era tentar identificar alterações no gosto do produto dentro do seu prazo de validade, que é de seis meses.

Para os degustadores, quanto mais próximo do seu final de vida na prateleira, mais a cerveja apresentou um sabor de papelão (principal indicador do processo de oxidação), além de um acentuado gosto doce.

"Mas essas nuances só são perceptíveis para profissionais especializados nesse tipo de avaliação. O consumidor tradicional dificilmente percebe essas alterações. Por isso a pesquisa é importante, já que permite um parâmetro de fácil acesso ao público por meio da data de fabricação do produto", conclui a pesquisadora.


A mais antiga

De acordo com o decreto 2.314, de 1997, cerveja é toda e qualquer bebida obtida pela fermentação alcoólica do mosto cervejeiro, oriundo do malte de cevada e água potável, por ação da levedura com a adição de lúpulo. A cervejaria mais antiga ainda em atividade encontra-se em Freisig (Alemanha). A licença de produção data de 1040, mas existem relatos que desde o ano 725 os monges já fabricavam o produto.


Pedido difícil

A Eisenbahn Pilsen é a primeira cerveja orgânica brasileira. Fabricada em Blumenau (SC) pela Cervejaria Sudbrack, ela é produzida com ingredientes naturais, cultivados sem agrotóxicos, fertilizantes sintéticos ou conservantes. O difícil é encontrar o produto nos bares e restaurantes (mesmo nos de comida natural). Quem quiser adquirir o produto, visite o site www.eisenbahn.com.br. Seis garrafas de 355 ml saem por R$ 26,40 (sem frete).


Vacas agradecem

Boa parte da ração que alimenta nosso rebanho leiteiro vem de rejeitos oriundos das cervejarias. Segundo dados da Ambev, a produção de bagaço de malte é suficiente para alimentar 720 mil cabeças de gado leiteiro por ano, o que equivale a uma produção de mais de três milhões de litros de leite por dia. Estudos apontam o bagaço ainda pode ser aproveitado como ração na piscicultura, alimentando tambaquis e curimatãs.


61 por cento

De todas as doses anuais de bebidas alcoólicas consumidas no Brasil são de cerveja ou chope, 25% de vinho, 12% destilados e 2% as bebidas 'ice'. Entre os destilados, a cachaça é a mais consumida, seguida pelo uísque e o rum. Os dados, do 1º Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira, revelam que o consumo abusivo de álcool é um grave problema de saúde pública.


Ruim para o coração

O hábito de beber mais de um refrigerante por dia, mesmo que 'diet', pode estar associado a um aumento dos fatores de risco para doenças cardíacas.

A conclusão é de uma pesquisa realizada por uma equipe do Instituto Framingham (EUA) e recentemente publicada na revista da Associação Norte-Americana do Coração.

"Entre os que bebem um ou mais refrigerantes diariamente há uma associação com um maior risco de desenvolver a síndrome metabólica", disse Ramachandran Vasan, professor da Escola de Medicina da Universidade de Boston.

A síndrome metabólica é um aglomerado de fatores de risco para doenças cardiovasculares e diabetes, incluindo excesso de circunferência abdominal, alta pressão sanguínea, triglicerídeos elevados, baixos níveis de lipoproteína de alta densidade (o 'colesterol bom') e altos níveis de glucose em jejum. A presença de três ou mais desses fatores aumenta o risco do aparecimento de diabetes ou doença cardiovascular.

"O mais impressionante foi o fato de o risco aumentar tanto para quem consome refrigerantes diet quanto para os que tomam a versão normal", disse Vasan.

Segundo ele, estudos anteriores ligavam o consumo de refrigerantes a múltiplos fatores de risco para doença cardíaca, mas, pela primeira vez, foi demonstrado que a associação incluía também os refrigerantes com adoçantes artificiais.

O estudo teve como base observações feitas com nove mil pessoas de meia—idade durante quatro anos. Os pesquisadores concluíram que os indivíduos que consumiam um ou mais refrigerantes por dia apresentavam um aumento de 48% na prevalência da síndrome metabólica em comparação aos que consomem menos. (Agência Fapesp)