Notícia

Agência C&T (MCTI)

No recife, prevenção poderia evitar 70% das internações por asma de crianças e adolescentes

Publicado em 21 novembro 2007

A maior parte das crianças e adolescentes internados por asma não faz acompanhamento ambulatorial preventivo. Essa é a principal conclusão de uma pesquisa realizada na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com base nos atendimentos de urgência em duas unidades de saúde no Recife. O coordenador-adjunto do Centro de Pesquisas em Alergia e Imunologia Clínica da UFPE, Emanuel Sarinho, é o autor principal do artigo.

"Os resultados destacam a existência de uma lacuna entre o encaminhamento feito pelo médico do serviço de internação hospitalar e a efetiva concretude da consulta ambulatorial de asma. Isso ocorre, possivelmente, devido ao baixo nível socioeconômico da maioria dos pacientes estudados, da dificuldade de acesso e da carência de serviços ambulatoriais que efetivamente tratem a doença", disse Sarinho.

Foram ouvidos 169 pacientes internados com crise de asma, no período de 15 de janeiro a 16 de maio de 2001. O dado mais alarmante da pesquisa, segundo Sarinho, é que somente 27 crianças (16%) freqüentavam um ambulatório para tratamento preventivo de asma - e apenas 13% usavam medicação profilática.

"Priorizar a internação em detrimento do tratamento preventivo é um paradoxo que envolve, de um lado, o sofrimento do paciente e da família e, de outro, os custos para o sistema de saúde. O comprometimento da qualidade de vida traz grandes prejuízos ao desenvolvimento pleno da criança e do adolescente, que perde as atividades escolares e desportivas", explicou o médico.

Apesar de constatar que o médico do serviço de urgência encaminhou 89 pacientes (53%) para tratamento preventivo de asma, o estudo ressalta que somente 27 pacientes (16%) conseguiram retornar para fazer o tratamento adequado.

Fonte: Agência Fapesp