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USP - Universidade de São Paulo

No CMDMC, atividades trazem jovens para o mundo das ciências exatas

Publicado em 03 março 2010

Por Laura Lopes

Quem nunca ouviu falar de olimpíadas de matemática, química e física? No Brasil, existem algumas e uma delas é organizada pelo professor Antonio Carlos Hernandes, diretor de ensino e difusão do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos (CMDMC) e docente do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP. Na primeira edição do evento sob sua coordenação, o que aconteceu em 2005, a competição teve a participação de apenas 100 alunos de duas escolas e dois municípios. Já em 2008, em seu quarto ano, a olimpíada reuniu 30 mil alunos de 170 escolas, presentes em 93 municípios paulistas. No ano passado ela não aconteceu, mas neste ano, segundo Hernandes, será no segundo semestre. A olimpíada é um dos exemplos das atividades de extensão promovidas pelo CMDMC, que têm como objetivo trazer o aluno do ensino médio para a realidade das pesquisas universitárias em física, para incentivá-lo a seguir carreira profissional nessa área.

E o que o desenvolvimento de materiais cerâmicos, que dá o nome ao centro, tem a ver com isso? O CMDMC é um centro integrado de pesquisa científica e tecnológica financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com foco no desenvolvimento de novos materiais inorgânicos e novas tecnologias para sua síntese e processamento. Tais materiais inorgânicos são os cerâmicos: constituídos por metais e não metais, formam óxidos, nitretos e carbonetos, são isolantes de calor e eletricidade, duros e ao mesmo tempo leves e frágeis e mais resistentes a altas temperaturas e a ambientes severos se comparados aos metais (ligas metálicas) e polímeros (borrachas e plásticos). Entre as pesquisas, há estudos na indústria cosmética, no desenvolvimento de pigmentos (tintas), nos campos da óptica e eletro-eletrônica, nas artes plásticas e na preservação ambiental. São 10 professores e mais de 100 alunos de iniciação científica e pós-graduação.

Mas o CMDMC também se presta à transferência de conhecimento para a sociedade, o que acontece há 10 anos. Além de desenvolver pesquisas em iniciação científica e pós-graduação, o centro possui importantes atividades de extensão na área de educação básica para alunos e professores de segundo grau. Além da Olimpíada de Matemática e Física, o programa "Um dia de Universitário", que acontece desde 2003, leva cerca de mil estudantes do ensino médio de 15 municípios de São Paulo ao IFSC. Lá, eles assistem a uma aula pela manhã, almoçam no restaurante universitário e visitam a biblioteca e os laboratórios do instituto. Essa atividade desperta o interesse dos alunos pela universidade pública, coloca-os em contato com experimentos e mostra que física e química são muito mais práticas do que se aprende na escola.

Já a Atividade de Investigação Científica (AIC) é mais focada nos alunos de ensino médio que tenham interesse em ciência dos materiais. Cada AIC tem o tema definido pelo coordenador do projeto e duração mínima de 12 meses, de modo que os estudantes possam aprender a metodologia científica e compreender o processo de construção do conhecimento. Eles frequentam o grupo uma vez por semana a fim de estudar, fazer experimentos, analisar resultados e criar relatórios. Depois, ministram palestras no IFSC e em suas respectivas escolas. Desde 2006, sete alunos concluíram o programa, sendo que cinco deles ingressaram em universidades públicas na área de Exatas. No ano passado, seis estudantes frequentavam o projeto.

A Escola de Verão em Física dos Materiais (FísMat) também é orientada para quem deseja uma aproximação maior com conceitos avançados aos estudos de materiais no estado sólido, mas com foco nos alunos de graduação, principalmente os do último ano, e pós-graduação. É uma atividade do IFSC em conjunto com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) dos Materiais em Nanotecnologia. A carga horária é de 40 horas e a duração, uma semana. Além dos cursos e palestras, os alunos apresentam pôsters e, no final, os melhores trabalhos científicos são premiados. Em 2010, 40 estudantes foram selecionados para participar, de um total de 250 inscritos. E não apenas do estado de São Paulo, mas também do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Sergipe, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.

Além dessas atividades coordenadas por Hernandes, há novas atividades sendo programadas para este ano. "Estamos iniciando um projeto de difusão para alunos e a população em geral chamado "O Mundo dos Materiais e da Nanotecnologia", que começa em maio, e um curso de capacitação de professores com início para o segundo semestre", afirma o docente. Neles, os temas de materiais cerâmicos e nanotecnologia serão abordados de maneira clara. "As atividades acontecerão em escolas e também estamos planejando apresentar em locais em que a população tem acesso, como clubes e no Sesc", diz o professor.

Quem não puder participar de nenhuma das atividades pode ter contato com os temas através dos jogos de sudoku de química e o quebra-cabeça de nanotecnologia. O primeiro usa elementos químicos no lugar dos números, o que ajuda alunos de ensino médio no estudo da tabela periódica e suas propriedades. Já o quebra-cabeça é feito com imagens de microscópios de alta resolução, que mostram o mundo em detalhes, com aumento de até 70 mil vezes. Há fotos de ácaros, pulgas, pólen e asa de mariposa.

O CMDMC reúne pesquisadores do IFSC, do Instituto de Química de Araraquara da Universidade Estadual Paulista (Unesp), dos Departamentos de Química, Física e Engenharia de Materiais da UFSCar e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen).

Mais informações sobre os centros podem ser encontradas nos sites www.ccmc.ifsc.usp.br e www.cmdmc.com.br.