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Níveis hierárquicos diferentes percebem a utilidade das redes sociais de formas distintas

Publicado em 13 maio 2010

Em 1984, Jonathan Gruding tentava utilizar o arcaico e-mail interno da empresa onde trabalhava. Para seus superiores, tudo não passava de um desperdício de tempo. O jeito certo de comunicar colegas de escritório eram os demorados e antiquados memorandos. Alguns anos depois, Gruding se tornaria um grande pesquisador, enquanto seus antigos chefes se consumiriam em arrependimento ao ver o e-mail se tornar uma das ferramentas mais importantes do mundo corporativo.

Hoje Gruding trabalha para a Microsoft Reasearch, estudando redes sociais nas empresas. Nesta quinta-feira (13), apresentou suas principais conclusões no evento Faculty Summit 2010, realizado pela organização em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).

O comportamento das empresas em relação a novas tecnologias muda através da história, mas a desconfiança é sempre a mesma, afirma. Mensagens instantâneas via celular, processo de criação colaborativo e agora as redes sociais. Todas inicialmente causaram desconfiança em empreendedores de todos os tipos - e tamanhos -, diz Gruding. Mas obviamente essas ferramentas vão encontrar seu caminho dentro das empresas. Hoje temos muito menos computadorfobia, brinca o pesquisador.

Para saber mais sobre o comportamento das empresas, Gruding selecionou 1.000 funcionários de diversos empreendimentos - grandes e pequenos - e enviou a eles pesquisas, com o objetivo de definir a relação das companhias com as redes sociais - Twitter, Facebook, etc. Disso, conseguiu notar diferenças entre grupos hierárquicos e geográficos distintos. Depois de analisar o questionário, Gruding passou para entrevistas aprofundadas com 12 pessoas.

Hora da lição de casa

No estudo de Gruding, algumas diferenças foram apontadas em relação aos portes das empresas entrevistadas. Se você traz alguma nova tecnologia, como redes sociais, para um negócio mais maduro, isso vai causar algum tipo de distúrbio por um tempo. Já em startups esse impacto é bem menor ou inexistente, porque elas podem determinar o papel dessas ferramentas antes de nascer uma cultura organizacional mais forte, explica.

Para o pesquisador, as funções das pessoas nas pequenas empresas tendem a ser menos rígidas, o que facilita com que todos sejam mais abertos para sugestões de colegas de trabalho sobre como usar essas tecnologias. Outra conclusão do trabalho é de que a utilização dessas ferramentas difere de acordo com a posição do usuário dentro da empresa.

Gruding fez um trabalho observando como empreendimentos se comportavam usando uma ferramenta de construção colaborativa como o Wiki. Enquanto funcionários do alto escalão a utilizavam para mapear as atividades da empresa como um todo - como uma rede de atividades, por exemplo - colaboradores preferiam usá-la de forma mais imediata, para elaborar documentos de perguntas e respostas que poderiam ser atualizados constantemente, sem necessariamente documentar tudo. Essa confusão acaba prejudicando a eficiência da ferramenta, segundo Gruding.

Outro grande problema, na opinião do pesquisador, é que é impossível provar os benefícios de se utilizar novas tecnologias, como as redes sociais. Pelo menos não do jeito que os donos das empresas esperam. Eles querem saber dados, números de como sua produtividade vai aumentar utilizando essa tecnologia, e é muito difícil conseguir uma medida clara e limpa desse parâmetro, afirma Gruding. Os efeitos podem ser indiretos ou imperceptíveis, como melhorias na interação dos funcionários ou deixá-los mais felizes em trabalhar.

Para mudar essas diferenças de percepção, Gruding acredita que os tomadores de decisão da empresa precisam ser educados a entender os benefícios dessas ferramentas, mesmo que sem numeralhas mirabolantes e porcentagens estratosféricas, mas por meio de artigos, literatura específica e até conversas com outras empresas que foram bem sucedidas ao usar esse tipo de estratégia. Eles também têm que perceber que nem sempre o que eles imaginam que seja um uso eficiente dessas ferramentas é eficiente de fato, diz Gruding. Agora, é hora de fazer a lição de casa.