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Jornal de Piracicaba online

Nicotina abre caminho para gengivites

Publicado em 28 abril 2006

Por Leandro Cardoso (leandroc@jpjornal.com.br)
Uma pesquisa inédita realizada na Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) pela farmacêutica piracicabana Karina Cogo, 25, indica que a nicotina, a cotinina (substância derivada da primeira) e a cafeína podem interferir no crescimento de bactérias que dão origem à placa subgengival, problema apontado como o principal causador de doenças periodontais, como gengivites e periodontites, que podem levar à perda do dente atingido em casos extremos.
A constatação surgiu depois de dois anos de estudo, desenvolvido com o apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), no qual a profissional testou em laboratório a incidência das substâncias em sete tipos diferentes de bactérias encontradas na boca. A pesquisa foi desenvolvida durante a dissertação de mestrado de Karina, com a orientação do professor Francisco Carlos Groppo, que atua na área de Farmacologia, Anestesiologia e Terapêutica da FOP.
O desenvolvimento do estudo mostrou que das sete bactérias analisadas, três apresentaram aceleração no processo de crescimento, duas reduziram a incidência e outras duas não tiveram alteração quando submetidas à aplicação das três substâncias. "As bactérias não estão diretamente ligadas ao aparecimento das doenças, mas afetam o biofilme subgengival, o que pode causar as infecções", explicou a pesquisadora.
Mesmo sem um parecer final, já que os testes foram feitos até agora apenas em laboratório, o resultado da análise aponta que o tabagismo pode ser altamente prejudicial também para a saúde da boca do fumante. A nicotina é um dos principais componentes do cigarro, que reúne mais de 4.000 substâncias tidas como causadoras de diversas doenças, entre elas o câncer.
Para comprovar a tese, seria necessária a realização de pesquisas em seres humanos, para que também fosse analisada a influência de outras substâncias no aparecimento das doenças periodontais. O estudo, por enquanto, terá continuidade com o início do doutorado da farmacêutica, pelo qual ela pretende verificar se a interferência da nicotina, além de desequilibrar o crescimento, pode tornar os microorganismos orais ainda mais prejudiciais no sentido de aumentar a incidência e a gravidade das doenças que atingem o conjunto formado pelo cemento, osso em que está implantado cada dente, e a gengiva.
Inauguração — O reitor da Unicamp, professor José Tadeu Jorge, estará quarta-feira, às 14h, na cidade para a cerimônia de reinauguração da Clínica Odontológica da FOP. A Clínica passou por ampla reestruturação, cujo objetivo foi de adequá-la melhor às exigências da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) do Ministério da Saúde. Para isso, foi ampliado o centro de esterilização.
Ainda no mesmo dia, será realizada a inauguração da área física do Departamento de Diretoria de Informática, que passou a contemplar: assessoria de comunicação e apoio a eventos, administração de redes e desenvolvimento, computação gráfica e editoração, manutenção e conectividade, apoio computacional e produção de vídeo.
Segundo o diretor, professor Thales Rocha de Mattos Filho, com a reforma, os pacientes ganharão mais segurança. A entrada de pacientes passará a ser pelo lado direito do prédio. Os tratamentos, que exigem pagamentos, passarão a ser efetuados no interior do imóvel.