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Neurotransmissores ajudam a elucidar doenças neurodegenerativas ainda incuráveis e abrem nova possibilidade de tratamento com corante alimentício

Publicado em 06 setembro 2019

O pesquisador Alexander Henning Ulrich, do Instituto de Química, da Universidade de São Paulo, apresentará diversos resultados de suas pesquisas sobre doenças neurodegenerativas durante a XXXIV Reunião Anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE). Sua equipe observou que o mal funcionamento de um receptor da molécula do ATP, mais conhecida por armazenar energia proveniente da respiração celular, pode levar aos sintomas da doença de Huntington. A doença é de origem genética e progressiva e afeta o sistema nervoso central.

Ulrich também estudou o ATP na doença de Parkinson e um tratamento com corante alimentício que regenerou neurônios, reparando significativamente o dano cerebral em ratos. Os resultados são muito promissores e reafirmam o papel fundamental da molécula do ATP como neurotransmissor, tanto no desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, quanto para o seu tratamento.

Os neurotransmissores são substâncias que transmitem sinais de ou para neurônios. Alguns tipos de sinalizadores neurais já têm suas funções bem conhecidas (como a adrenalina), mas outros ainda são misteriosos. Um deles é a molécula de ATP, mais conhecida por carregar energia para as reações biológicas das células.

Recentemente, foi descrito que o ATP também atua como neurotransmissor, pois se liga especificamente aos receptores P2Y de neurônios. Inclusive, existe uma família inteira de receptores P2Y (até o momento, sabe-se que vão do P2Y1 ao P2Y14) e cada um deles, quando ativado, desencadeia uma resposta específica diferente, e que ainda estão sendo desvendadas por pesquisadores de todo o mundo.

No caso da doença de Huntington, a equipe de Ulrich observou que o mal funcionamento do receptor de ATP chamado P2Y2 influencia no desenvolvimento da patologia. O pesquisador explica que a alteração desregula a concentração de cálcio das células, o que leva à desregulação do relógio biológico dos neurônios, que envelhecem mais cedo e morrem. Essa descoberta é muito significativa, pois esclarece um pouco mais sobre os mecanismos dessa doença ainda pouco conhecida e incurável, apontando novos caminhos de potenciais alvos terapêuticos.

Por outro lado, na doença de Parkinson, a inibição do receptor de ATP chamado P2Y7 levou à melhora de ratos afetados, com a regeneração de neurônios e reversão de grande parte dos comportamentos sintomáticos. “Esta é uma abordagem totalmente nova para o tratamento da doença”, acrescenta Ulrich, “pois os outros estudos consistem principalmente na prevenção da morte de neurônios”. A vantagem desta estratégia é que o receptor P2Y7 pode ser facilmente inibido com o corante alimentício azul brilhante G, também conhecido como BBG.

“Esses resultados são muito interessantes por ser um potencial tratamento de cura da doença e porque o composto é um corante que já é amplamente utilizado na indústria alimentícia”, completa. O grupo do pesquisador Alexander Henning Ulrich recebe financiamento da Fapesp e CNPq, dentre outros.

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