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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Nepo abre segunda edição de capacitação para gestores públicos

Publicado em 04 julho 2011

A falta de planejamento é a raiz dos principais problemas urbanos brasileiros, como criminalidade, pobreza e desemprego. Em uma análise cética, o demógrafo George Martine, consultor da Organização das Nações Unidas (ONU), afirma que o processo de urbanização no país está praticamente completo e irreversível. De acordo com ele, cerca de 40% da população brasileira mora em cidades com mais de 1 milhão de habitantes. "Grande parte da população, que é a mais pobre, nunca teve o seu lugar marcado nesse processo de metropolização. Então, essa população acaba caindo onde não há espaço, onde os outros não querem, se situando nos lugares menos apropriados. Isso está na raiz dos grandes problemas urbanos do país", declarou.

O demógrafo da ONU participou da abertura da segunda edição do Programa de Capacitação: População, Cidades e Políticas Sociais, organizado pelo Núcleo de Estudos de Populações (Nepo) da Unicamp. "Até hoje nós lutamos contra a concentração urbana. As prefeituras, de modo geral, preferem não crescer, achando que desta forma podem lidar com os problemas atuais. Só que ao não aceitar o crescimento, elas acabam, ao contrário, não conseguindo lidar com os problemas existentes. Então, o crescimento periférico de hoje em dia recria os mesmos problemas sociais e ambientais que caracterizaram o país nos 50 anos anteriores", analisou.

O programa, voltado a gestores públicos de todo o país, tem, justamente, o objetivo de mostrar a importância da dimensão populacional para a decisão e implementação de políticas sociais, explicou a coordenadora do evento, Rosana Baeninger, pesquisadora do Nepo e docente do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH). "Este é um curso pensado para dialogar com a sociedade. Nós fizemos a seleção de 31 gestores municipais do Estado de São Paulo e das regiões Norte, Nordeste e Centro Oeste. A ideia é mostrar a importância do conhecimento da dinâmica demográfica e da dinâmica da população, ou seja, quem são os contingentes populacionais e a sua distribuição na cidade a fim de que as políticas sociais possam ser implementadas de maneira correta", ressaltou.

A demógrafa Taís de Freitas Santos, representante do Fundo de População das Nações Unidas, frisou, durante a abertura do evento, a importância das projeções para o planejamento das políticas sociais. "É necessário para qualquer tipo de planejamento que a gente tenha informações seguras não só sobre o volume da população, mas sua distribuição espacial e etária. A população brasileira, por exemplo, está envelhecendo rapidamente. Então, temos que estar um passo a frente para traçar o planejamento, desenvolver ações na área de medicina geriátrica e de toda a parte de serviços", revelou.

Nessa linha, Rosana Baeninger, disse também que o programa está utilizando dados da divulgação do Censo Demográfico de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "É importante que esses gestores saibam a potencialidade dessas informações para o planejamento urbano na sua totalidade", salientou. "Vivenciamos no âmbito nacional que essa dimensão da dinâmica da população não é incorporada nas decisões das políticas sociais. Por isso, muitas vezes, o desenho das políticas sociais acaba não alcançando o alvo. Então, o planejamento é fundamental para a melhoria das condições de vida da população brasileira", apontou.

O Programa de Capacitação, que acontece até o dia 9 de julho, conta com o apoio financeiro do Fundo de População das Nações Unidas e do Projeto Temático da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp): Observatório das Migrações em São Paulo.