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Negócios para quem tem mais de 55 anos envolvem R$ 1,6 tri por ano. Veja as principais cidades

Publicado em 15 janeiro 2020

Niterói foi eleita a melhor cidade para se investir em negócios com foco na terceira idade. No estudo realizado pela Goakira Consultoria e Gestão de Rede de Negócios, a cidade fica à frente de Vitória (ES), Santos (SP), Porto Alegre (RS) e Santa Maria (RS). Entre os dez municípios com maior potencial para abertura de negócios voltados para esta faixa etária também figuram Volta Redonda, Petrópolis e Campos.

— No levantamento, a consultoria pesquisou cidades com população acima de 200 mil habitantes e analisou componentes como longevidade, acesso ao conhecimento (educação) e padrão de vida (renda) — diz Deborah Machado, sênior da Goakira.

Para Daniel Costa, diretor de expansão da Cuidare, franquia de cuidadores, os municípios fluminenses citados no estudo são excelentes para empreendimentos voltados para idosos devido ao potencial econômico e à boa infraestrutura para o público da terceira idade:

— Temos franquias em Niterói e Campos e pretendemos abrir unidade em Volta Redonda ainda neste trimestre, por ver muito potencial nas regiões.

Anna Carolina Braz também apostou em Niterói para fundar a Click Care, empresa de home care. Com 40 funcionários, ela atende pacientes da cidade e do Rio e presta todo serviço de cuidados para idosos:

— Fazemos toda a capacitação e treinamento dos funcionários. É uma área em constante expansão.

Além do setor de saúde e cuidado, a população da terceira idade exige cada vez mais produtos e serviços específicos em todo o Brasil. Segundo o IBGE, em 2030, a projeção é de que o país tenha mais idosos do que crianças.

A chamada economia prateada ou da longevidade— que envolve pessoas com mais de 55 anos —movimenta cerca de R$ 1,6 trilhão por ano no Brasil. De acordo com a pesquisa Tsunami Prateada, conduzida pela Pipe.Social e pela consultoria Hype60+, a cada dez consumidores acima de 55 anos, quatro reclamam da falta de produtos e serviços voltados para idoso.

ESQUECIDOS PELA MARCAS

As categorias mais demandadas são vestuário, calçados e acessórios (56%); alimentos para necessidades específicas (40%); serviços de turismo (36%); cursos no geral (31%) e soluções para adaptação da casa (28%).

—As empresas pesquisam freneticamente o comportamento das crianças, dos jovens, dos “milênios”, mas sequer reparam nos consumidores acima de 60 anos. Os maduros serão os grandes protagonistas do futuro — afirma Layla Vallias, fundadora da consultoria de marketing Hype60+, que estuda a economia da longevidade desde 2015.

Segundo ela, o investimento das grande marcas em produtos e serviços para este público ainda é incipiente: — Um ponto de atenção é que o processo está lento, enquanto estamos envelhecendo em um ritmo muito acelerado. Este nicho começou a ser visto há pouco tempo e falta de tudo. Este mercado é um terreno fértil para investir —diz ela.

Criada em São Paulo em 2015 com apoio da Fapesp, a ISGame, escola de programação de videogames tem, atualmente, seis licenciados e a pretensão de ter mais 50 em todo o país este ano —no Rio, está em Ipanema com a empresa Chronos e, em Niterói,

—Os idosos aprendem a jogar e a desenvolver o videogame. A prática é ótima para a concentração, a melhora cognitiva e a socialização. Além disso, há a inteiração geracional, pois trazemos estudantes de 17 e 18 anos para testarem os jogos criados pelos alunos da terceira idade—explica Fabio Ota, criador do ISGame.

Em meados do ano passado, José Luiz de Paula Junior e Eric Larue, executivos experientes do mercado de beleza, decidiram criar o Aura 60+, uma linha de cosméticos e produtos nutricionais, formulados para pessoas com 60 anos ou mais. Com venda apenas on-line, a ideia é chegar no varejo em pouco tempo.

—A sociedade brasileira ainda enxerga o idoso como aquele da plaquinha do estacionamento, curvado e com bengala —constata Eric.

Aos que desejam abrir um negócio direcionado aos “prateados”, Henrique Noya, diretor do Instituto de Longevidade Mongeral Aegon, alerta que é preciso lembrar que não se pode pôr todos os 50+ no mesmo balaio:

— As necessidades de uma pessoa de 50 anos são diferente das de uma de 60 e de uma de 70. Marcas desenvolvem produtos “sênior”, sem identificar para quem são. Segundo Noya, as palavras de ordem para entender esse mercado são preparo e adaptação.

—Há um público que já chegou à terceira idade e precisa se adaptar. E outro que necessita preparar-se para envelhecer, com organização financeira. Cada fase exige uma visão diferente das gerações passadas. A gente não vai ter apoio do estado, como as gerações passadas, com a reforma da Previdência acontecendo no Brasil e no mundo — lembra ele.

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O Globo